“Quero que apodreça na cadeia”, diz filho de vítima em julgamento de feminicida em Peixoto de Azevedo

“Eu quero que esse cara apodreça na cadeia”, afirmou Gustavo Michel durante o julgamento de Wendel dos Santos Silva, feminicida que assassinou sua mãe, Lediane Ferro da Silva, executada a facadas. O crime aconteceu em Peixoto de Azevedo, em abril de 2023. Os filhos do casal presenciaram toda cena de violência, inclusive Gustavo.

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Gustavo foi o primeiro a depor no Tribunal do Júri do covarde conhecido como Xexeu, que acontece na Comarca de Peixoto de Azevedo nesta quinta-feira (18).
Sem conseguir segurar as lágrimas, Gustavo contou ao júri que naquele dia, chegou da escola e ouviu a filha de Wendel gritando. Quando entrou na cozinha, viu Lediane sendo esfaqueada até a morte. Logo em seguida, o feminicida ameaçou Gustavo e a própria filha, dizendo que os mataria. Eles tiveram que fugir correndo do local.
Embargado, explicou que as brigas eram constantes e que o covarde ameaçava sua mãe com frequência. Inclusive, um dia antes da execução eles tiveram uma discussão acalorada. O assassinato foi precedido, segundo o filho, por excesso de ciúmes, violência psicológica e ameaças: não deixava ela sair, ter amigos, “proibia muita coisa”.
Hoje morando com a avó em Sinop, Gustavo não escondeu a falta que a mãe faz e o sentimento de desprezo pelo covarde. Em lágrimas, disse que “não sei o que eu faço, não tenho para onde ir, não sei o que vai acontecer, não tenho ela”.  Sem acompanhamento psicológico, Gustavo lamenta que a cena do crime ainda vive em sua memória.
O crime ocorreu no dia 15 de abril de 2024, na casa da vítima. Conforme as investigações, Lediane já sofria violência doméstica por parte do noivo e, no dia em que foi assassinada, chegou a conversar com a enteada para pedir que Wendel se retirasse de sua casa, devido às constantes discussões que vinham ocorrendo. A enteada foi até a casa de Lediane pedir para o pai ir embora.
No entanto, ele se recusou, discutiu com a noiva e, em seguida, se apossou de uma faca, com a qual desferiu vários golpes contra a vítima. Wendel fugiu em seguida. Câmera de segurança de dentro da residência gravou a cena do crime. Dois meses antes, a mesma câmera também registrou Wendel dando um golpe de mata leão em Lediane, que chegou a desfalecer ao chão.
Após investigações, o caso foi distribuído à 2ª Vara de Peixoto de Azevedo em 25 de abril de 2024. A denúncia foi recebida poucos dias depois, em 6 de maio de 2024. Ao longo do processo, a prisão preventiva do réu foi mantida para garantir a ordem pública, principalmente por se tratar de crime com elevado grau de reprovabilidade e brutalidade e pela frieza do autor, uma vez que o crime foi praticado na presença da sua filha e do filho da vítima. Além disso, foi levado em conta que o réu ficou foragido por 4 dias.

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