Manifestantes protestam contra PEC da blindagem e anistia em Brasília
Ato na capital federal teve cartazes contra o Congresso e críticas a Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Crédito: Vinícius Valfre e Bruno Nogueirão
Artistas, políticos e movimentos sociais reúnem-se em protestos em várias cidades brasileiras neste domingo, 21. A pauta é o combate à chamada PEC da Blindagem, aprovada na Câmara na última semana, e à tentativa de anistia a envolvidos em tentativa de golpe de Estado.
Em Brasília, a manifestação começou às 10h e seguiu marcada por críticas ao Congresso e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tido como um dos principais beneficiários da PEC da anistia. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) também foi citado.
Os manifestantes carregavam faixas com dizeres como “Congresso inimigo do povo”, “sem perdão para golpistas” e “sem anistia”. Um dos participantes do ato estimou, do caminhão de som, a presença de 30 mil pessoas. As forças de segurança pública ainda não lançaram estimativa de público.
Durante o ato, o ex-ministro José Dirceu (PT) fez críticas duras ao Poder Legislativo. “Para mudar esse País, temos que mudar o Congresso Nacional”, afirmou.
Protestos acontecem ao longo do dia em mais de 30 cidades pelo Brasil, mobilizados por movimentos ligados ao PT e ao PSOL, e contam com a presença de artistas como Djonga, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil e Djavan.
Em Salvador, a manifestação envolveu uma caminhada do Farol ao Cristo, com um trio puxado pela cantora Daniela Mercury, que se manifestou nas redes. “Estamos na rua! Contra a PEC da Bandidagem e da Anistia. Salvador dando exemplo de luta pela democracia”, escreveu. O ator Wagner Moura também subiu ao trio e afirmou que “aqui, a extrema-direita não se cria”.
Em Belo Horizonte, a manifestação teve início às 9h, na Praça Raul Soares. Do carro de som, um organizador do evento puxou o grito “bom dia, sem anistia para golpista!”, que foi repetido pelos manifestantes. O dito foi puxado em diferentes momentos do ato, e estava presente em cartazes dos manifestantes, assim como a mensagem “não à PEC da bandidagem” e a frase “Congresso inimigo do povo”.
Bandeiras do Brasil também marcaram o protesto na capital mineira. Em uma delas, lê-se “Brasil soberano é o povo no poder”. Havia ainda manifestante com bandeira da Palestina. Uma das atrações do carro de som foi a cantora Fernanda Takai, da banda Pato Fu.
Um dos organizadores do ato em São Paulo, Gilmar Mauro, que é coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MTST), diz que as mobilizações querem que o Congresso Nacional barre a PEC da Blindagem e a proposta de anistia aos condenados pela trama golpistas.
“Por outro lado, a mobilização nas ruas pede que haja avanço das pautas populares, como a taxação dos super ricos, a isenção de imposto de renda para os que ganham até R$ 5 mil e o fim da escala 6 por 1, que afeta os mais jovens, principalmente”, diz Gilmar, que faz parte da Frente Brasil Popular.
O músico Jota.pê, que vai se apresentar na Paulista, falou ao Estadão antes de se dirigir ao público. “É importante virmos aqui pra mostrar a importância da política para os jovens da periferias”, afirmou. O deputado federal Orlando Silva, por sua vez, reforçou: “Não aceitamos impunidade com essa pec. Vamos lutar com esse absurdo”.
Na praia de Copacabana, no Rio, já há dois carros de som no local e manifestantes carregam dois bonecos grandes infláveis: um de Jair Bolsonaro com camisa de presidiário e outro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o chapéu do “Tio Sam”. Na representação, Trump carrega um cartaz com as palavras “Epstein list”, em referência ao empresário Jeffrey Epstein – condenado por pedofilia e morto em 2019 – de quem Trump era amigo.
Os manifestantes em Copacabana carregam cartazes com os dizeres: “Congresso, vergonha nacional!” e “os piores deputados da História”, além dos motes “sem anistia” e “não à PEC da Bandidagem”.
Anistia e PEC da Blindagem são principais alvos das manifestações
Os atos mobilizados pela esquerda no País miram o Congresso, com críticas duras ao projeto da anistia a golpistas e à proposta de emenda à constituição que ganhou o apelido de PEC da Blindagem, por dificultar a responsabilização criminal de parlamentares.
A PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados na última terça-feira, 16, com adesão massiva do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, e também de outros partidos de oposição ao governo Lula. O PT, por sua vez, liberou a bancada e teve 12 deputados votando a favor da proposta no primeiro turno. Dois deles mudaram de posição na segunda rodada.
O texto da PEC diz que deputados e senadores só poderão ser presos em caso de flagrante por crime inafiançável, amplia o foro privilegiado e ainda restringe processos criminais contra os parlamentares.
Ela segue para aprovação do Senado. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da proposta, sinalizou que se posicionará pela rejeição.
Já o projeto de anistia ainda segue na Câmara. Na última quarta-feira, 17, a Câmara aprovou urgência do tema. Na quinta, 18, o presidente da Casa, Hugo Motta, oficializou Paulinho da Força como relator do projeto.
Este texto segue em atualização ao longo do dia.
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