Ações da MBRF estreiam em baixa na B3 em dia positivo do Ibovespa

As ações da MBRF, empresa formada pela fusão de Marfrig e BRF, estrearam com queda em seu primeiro dia de negociação na B3, enquanto o Ibovespa ganhou impulso com o possível encontro entre os presidentes Lula e Trump e fechou em alta de 0,91%.

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Ao fim do dia, os papéis da companhia fecharam em baixa de 6,39%, a R$ 19,77. A variação tem como base o valor de troca definido entre as duas companhias durante o processo de fusão, de 0,8521 ação da Marfrig para cada papel da BRF.

De acordo com o estrategista chefe da RB Investimentos, Gustavo da Cruz, o comportamento das ações é reflexo de um ajuste técnico após a conclusão da fusão, dado que não há novos fatos que possam justificar a queda. “No médio prazo, o mercado gostou da movimentação de fusão e entende que as duas juntas vão se tornar uma empresa maior”, observou Cruz.

A fusão entre BRF e Marfrig foi anunciada em maio deste ano, mas a aprovação da operação pelo tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ocorreu só em 5 de setembro. Com presença em 117 países, a MBRF será uma das maiores empresas de alimentos do mundo. Terá um portfólio amplo de carne bovina, suína e de aves e também de produtos industrializados, reunidos em marcas como Sadia, Perdigão, Qualy, Banvit e Bassi.

Em relação ao valor de mercado da nova companhia, o estrategista chefe da RB Investimentos afirmou que a MBRF está subprecificada, acompanhando outras empresas listadas na B3, pressionadas pela alta taxa de juros no Brasil. “Temos visto aqui na corretora o cliente muito alocado em renda fixa, sem muito interesse para a renda variável”, ressaltou Cruz.

Em nota, o analista de research da Terra Investimentos, Régis Chinchila, destacou que a fusão busca “ganhos relevantes de escala e sinergias”, o que pode sustentar um “viés neutro a positivo no médio prazo caso a execução e a integração ocorram conforme o planejado”.

Na segunda-feira, a direção da nova companhia informou que revisou para cima sua expectativa de captura de sinergias, de R$ 800 milhões para mais de R$ 1 bilhão. A revisão se baseou em ganho de receita, redução de custos e impostos e otimização logística e comercial. A MBRF também elevou sua estimativa para a receita anual de R$ 152 bilhões para R$ 161 bilhões.

O controlador Marcos Molina também reiterou, na segunda-feira, os planos de listagem da empresa nos Estados Unidos.

“No curto prazo, porém, riscos permanecem: realização por parte de investidores, impacto da relação de troca e ruídos sobre integração e alocação de capital”, ressaltou Régis Chinchila.

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