Júri inocenta réu que foi julgado por feminicídio cometido pelo “serial killer da UFMT’

O Tribunal do Júri inocentou Julho César Correa da Silva, vulgo “Peba”, do assassinato de Marinalva Soares da Silva, executada em 2020 num terreno baldio localizado no bairro Parque Ohara, em Cuiabá. O caso teve uma reviravolta em agosto deste ano, quando a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) revelou, a partir de exames feitos na vítima, que não foi Peba que matou Marinalva, mas sim Reyvan da Silva Carvalho, o “Serial Killer da UFMT”, responsável pela execução de Solange Sobrinho dentro da universidade em julho deste ano.

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Peba foi julgado no fórum de Cuiabá nesta terça-feira (23). Marinalva foi assassinada asfixiada no dia 27 de dezembro de 2020, quando também fora violentada sexualmente. Em julho de 2021, ele foi preso preventivamente, tornando-se réu no mesmo mês. À Justiça, ele confessou que conheceu a vítima e esteve com ela no dia do crime, e que consumiram bebidas alcoólicas. Porém, negou que tivesse a matado, sabendo do crime dias depois.
Após o trâmite normal do processo, ele foi sentenciado pelo crime e a Justiça decidiu pelo Tribunal do Júri. Detido desde então, Peba teve a prisão relaxada em janeiro do ano passado. Neste ano, então, o julgamento foi designado para o dia 23.
Foi então que, durante as investigações da execução de Solange Aparecida Sobrinho, de 52 anos, no Campus da UFMT, ocorrida em julho deste ano, a Politec encontrou vestígios biológicos de Reyvan no corpo de Marinalva a partir de exames de DNA. Reyvan foi apontado como estuprador em série, responsável por abusos e feminicídios entre 2020 e 2022, inclusive o de Marinalva. Ele também tem passagens por outros crimes.
Diante da reviravolta, então, o Conselho de Sentença do júri não reconheceu a autoria do assassinato de Marinalva à Peba, que foi absolvido do crime de homicídio.
“Assim, atenta à soberana decisão do Conselho de Sentença, a qual estou vinculada, absolvo o acusado, qualificado nos autos, o que faço com fundamento no artigo 386, inciso IV, do Código de Processo Penal. Aguarde-se o trânsito em julgado desta decisão e oficie-se aos órgãos competentes para as baixas nos registros de antecedentes”, anotou a juíza Mônica Perri, que presidiu o julgamento.
Estuprador em Série
No final de agosto, a Politec identificou que Reyvan da Silva Carvalho, homem suspeito de ter estuprado e matado Solange Aparecida Sobrinho, de 52 anos, no campus da UFMT, em julho deste ano, também foi o autor de outros três estupros ocorridos entre 2020 e 2022 em Cuiabá. Uma destas vítimas também foi assassinada. Ele foi identificado por meio de exames de DNA de vestígios biológicos do suspeito encontrados no corpo de Solange. Reyvan já tinha passagem por outros crimes.
Inicialmente, as amostras coletadas indicaram a presença de um mesmo DNA masculino no corpo de Solange, e em uma bituca de cigarro que foi encontrada no local do crime. Exames realizados em outras três vítimas de estupro, sendo que um resultou em feminicídio, identificaram o mesmo homem que estuprou e matou Solange.
 
Na ocasião, a Politec comparou este perfil genético com os perfis de seis suspeitos indicados pela Polícia Civil, e todos os resultados deram negativo para a identificação do agressor.
 
A partir de então, o perfil genético masculino coletado no corpo de Solange foi incluído no Banco de Perfis Genéticos, obtendo resultado coincidente para outros três crimes cometidos pelo mesmo homem, cuja identidade ainda era desconhecida.
 
Um destes crimes foi o feminicídio e estupro de Marinalva. O segundo foi um estupro ocorrido no ano de 2021 no Bairro Tijucal. O terceiro, para um estupro cometido contra outra vítima, em 2022, no bairro Jardim Leblon.
 

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