Juíza mantém júri e prisão de PM da Rotam que confessou intermediar o assassinato de Nery

A juíza Mônica Perri, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, manteve a prisão e a sentença que pronunciou o policial militar Heron Teixeira, que também é agente da Rotam, ao júri popular pelo assassinato do advogado Renato Nery, executado a tiros em julho do ano passado enquanto chegava em seu escritório, na capital. À Justiça, Heron confessou que intermediou o crime contratando seu próprio caseiro, Alex Queiroz Silva, para puxar o gatilho. A dupla agiu sob encomenda de R$ 200 mil feita pelos produtores rurais Cesar Sechi e Julinere Goulart Bentos, que disputavam terras milionárias com a vítima e também estão detidos.

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Em decisão proferida na última sexta (26), a juíza Mônica Perri reanalisou o processo e não verificou motivos que fossem capazes de revogar a prisão de Heron, tampouco alterar a sentença de pronúncia, proferida no dia 22 de agosto pelo juiz Francisco Ney Gaíva. Com isso, Teixeira segue preso enquanto aguarda o Tribunal do Júri.
“Nos termos do artigo 316, parágrafo único, do CPP, reanalisei os autos acima mencionados, especificamente quanto aos fundamentos da prisão cautelar do(s) réu(s), e constatei que não houve nenhum fato novo capaz de revogá-la(s), razão pela qual a ratifico integralmente nos termos da decisão de pronúncia. Procede-se o Sr. Gestor a inclusão do nome do acusado na Planilha de Prisões do CNJ”, decidiu a magistrada.
Em 22 de agosto, Heron e Alex foram condenados a sentarem no banco dos réus. Para sentenciá-los, o juiz considerou uma série de elementos de provas, sendo o principal deles a confissão de Alex, responsável por puxar o gatilho e que chegou a se vangloriar do feito a uma testemunha, dizendo que a arma utilizada “tinha dado uma rajada”.
Heron agiu como intermediário, organizando a logística do crime e o pagamento. Foi o militar que chamou Alex para a empreitada e foi na sua chácara, situada do Capão Grande, em Várzea Grande, que eles se deslocaram após o assassinato para eliminar os rastros, queimando capacetes, roupas e os demais vestígios. O próprio caseiro confessou isso ao escrivão responsável pelo caso.
Sobre o militar, o juiz pontuou que os indícios apontaram para sua participação. Embora não como executor, as provas sugerem que Heron agiu de forma decisiva na intermediação entre Alex, os demais militares envolvidos e o casal mandante. 
O agente da Rotam confessou ter sido procurado pelo também policial militar Jackson Pereira Barbosa, vizinho do casal em Primavera do Leste, com a proposta para o crime. Diante da oferta de R$ 200 mil, Heron contatou Alex para a execução. Uma testemunha ainda relatou que acompanhou Teixeira em diversas viagens à Primavera para cobrar o pagamento. 
O delegado Bruno Sérgio Magalhães Abreu confirmou que a investigação apontou que a arma utilizada, bem como as munições, pertencia a lotes destinados ao Batalhão Rotam, onde Heron, Jackson e Ícaro (terceiro militar envolvido) atuavam ou possuíam vínculos. 
Diante disso, a dupla foi pronunciada em sentença para ser julgada diante do Tribunal do Júri pelo homicídio de Nery. Enquanto o julgamento não é marcado, o juiz decidiu manter os dois presos preventivamente. 
Em relação às qualificadoras, Francisco Ney Gaíva pontuou que o assassinato ocorreu de surpresa, em avenida movimentada, com meio que poderia colocar outras pessoas em perigo. Portanto, eles responderão por homicídio qualificado mediante paga ou promessa de recompensa, emprego de meio que possa resultar perigo comum e recurso que dificultou a defesa do ofendido.
Além do homicídio, eles são acusados de fraude processual (por tentarem esconder provas, como queimar roupas e capacete e se desfazer da motocicleta, além de trocar celulares), abuso de autoridade (já que o crime teria envolvido policiais militares e armas da corporação), e integração a uma organização criminosa.

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