'O resultado vem quando cuidamos das pessoas, da terra e da água', diz produtor

Fazenda São Paulo

Fazenda São Paulo

A história da Fazenda São Paulo começou em 1982, quando José Carlos Cepera comprou a propriedade, que na época dedicava-se à pecuária leiteira e à cafeicultura. “A intenção do meu pai era investir em terras, e por cerca de 15 anos mantivemos as atividades originais. Em 1995, substituímos a pecuária de leite pela suinocultura. Esse foi o primeiro passo para transformar a fazenda em um negócio”, conta Carlos Eduardo Cepera, diretor-executivo do grupo FSP Agroindustrial.

Leia também

Localizada no limite entre Oliveira e Santo Antônio do Amparo (MG), na região do Campo das Vertentes, a propriedade, que tem 10.000 hectares, faz parte de um empreendimento que uniu tradição familiar, foco na eficiência produtiva e práticas sustentáveis.

A FSP Agroindustrial dedica-se à suinocultura, responsável por 70% do faturamento do grupo, e à cafeicultura, que origina os outros 30%.

Fazenda São Paulo — Foto: Estúdio de Criação
Fazenda São Paulo — Foto: Estúdio de Criação

O primeiro grande projeto sustentável da São Paulo surgiu em 2004 por meio de uma parceria com a AgCert Internacional, companhia irlandesa que atuava para ajudar a reduzir as emissões de fazendas de todo o mundo. “Na época em que fomos procurados pela empresa, instalamos um dos primeiros biodigestores de Minas Gerais”, relata Cepera.

Cafeicultura responde por 30% do faturamento da fazenda — Foto: Thiago de Jesus
Cafeicultura responde por 30% do faturamento da fazenda — Foto: Thiago de Jesus

Com a insolvência da AgCert, em 2012, a São Paulo assumiu a administração integral do biodigestor. A fazenda ampliou o equipamento, que processa atualmente cerca de 1 milhão de litros de dejetos da suinocultura por dia, o que gera energia elétrica e térmica para a propriedade.

A São Paulo usa os resíduos líquidos na fertirrigação das pastagens e das lavouras de café, enquanto a parte sólida vira composto orgânico misturado à casca de café. As lavouras de café ocupam 1.000 hectares, e a produção nessa área é de 30.000 sacas por ano.

Desse total, 80% são para exportação. “Cerca de 10% da área já recebe esse manejo, e nossa meta é chegar a 100% em cinco anos”, afirma Helison Castro, gerente de meio ambiente da fazenda.

Uma parte da lavoura, cerca de 15%, é cultivada em sistema agroflorestal, combinando o café com mudas nativas. A iniciativa contribui para a regeneração do solo e assegura a colheita de grãos de qualidade mais alta.

Estrutura atende 1.200 colaboradores diretos — Foto: Thiago de Jesus
Estrutura atende 1.200 colaboradores diretos — Foto: Thiago de Jesus

O cuidado com o meio ambiente vai além da geração de bioenergia e do manejo de resíduos. A fazenda também mapeia 24 nascentes, e, por meio do projeto Plantando Água, planta 5.000 árvores nativas por ano, o que reforça a preservação hídrica e aumenta a infiltração de água no solo. “Estamos vendo a água brotar em diversos pontos da propriedade”, relata Castro.

Com um plantel de 100.000 suínos, sendo 7.000 matrizes, espalhados por 80 granjas, a fazenda produz 5.000 suínos por semana. Desse total, meta de segue para o frigorífico Nutrili Alimentos, que também pertence ao grupo, e metade a empresa comercializa no mercado de animais vivos.

A FSP mantém ainda a São Paulo Armazéns Gerais, que tem capacidade para 400.000 sacas de grãos, e opera uma fábrica de ração, que produz 140 toneladas por dia, o que garante a autossuficiência para alimentar o plantel. A fazenda tem, além disso, uma área de 500 hectares de eucalipto e 3.500 hectares de pastagens e cria 2.000 cabeças de ovinos.

Com 1.200 colaboradores diretos, a maioria com mais de 20 anos de casa, a São Paulo tem uma estrutura com horta, certificada pelo IBD ORGÂNICO, creche, escola, ambulatório, refeitório, atendimento médico semanal, psicólogos e assistente social para as 60 famílias que vivem na propriedade.

“Também oferecemos programas de capacitação como o Temas do Amanhã, de treinamentos técnicos e comportamentais, incluindo aulas de inglês”, conta Juliana Mendes, chefe de recursos humanos.

Na saúde preventiva, a São Paulo realiza mutirões de exames de saúde entre os colaboradores. Cepera acredita que o futuro do agronegócio está no equilíbrio entre resultado econômico e compromisso socioambiental. “O resultado vem quando cuidamos das pessoas, da terra e da água”, diz

Fonte


Publicado

em

por

Tags:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *