No centro da transição para uma economia sustentável, a biomassa ganha o status de recurso estratégico para reduzir nossa dependência dos combustíveis fósseis e impulsionar energia limpa, novos materiais e produtos de alto valor agregado.
Madeira, resíduos agrícolas, óleos vegetais, algas e outros recursos biológicos podem ser convertidos em biocombustíveis, químicos verdes, bioplásticos e biomateriais. É um caminho concreto para enfrentar a crise climática, reduzir emissões e criar novos mercados.
Diversos países já reconhecem a biomassa como ativo estratégico. Estados Unidos e União Europeia investem há anos em pesquisa aplicada, plataformas de demonstração e testes em escala real, consolidando cadeias de valor robustas e competitivas.
Nesses contextos, a biomassa não é vista apenas como insumo energético, mas como alavanca de transformação industrial e tecnológica, capaz de gerar empregos qualificados e atrair investimentos para setores de ponta.
O Brasil reúne condições únicas para ocupar posição de liderança global: clima favorável, biodiversidade, extensas áreas agricultáveis e florestas plantadas. Essa base permitiu ao país virar referência em bioenergia, que hoje responde por cerca de 60% da oferta de energia renovável no mercado interno.
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Mas o potencial vai além: nossas fontes de biomassa podem ser ampliadas e diversificadas e sustentar novas cadeias de valor voltadas à química verde, aos materiais avançados e à bioindústria de alimentos e fármacos.
As projeções reforçam essa oportunidade. A bioeconomia da biomassa no Brasil poderá movimentar US$ 25 bilhões até 2030 e alcançar US$ 60 bilhões em 2040, com destaque para cadeias emergentes como SAF, HVO, bioquerosene e biogás.
Entretanto, há um desafio central: quase 80% da biomassa que se usa no país sai de lavouras, florestas plantadas e resíduos agropecuários. O verdadeiro valor só se materializa quando esses recursos passam pela agroindústria, transformando-se em produtos com mais sofisticação tecnológica, valor agregado maior e impacto na geração de riqueza e empregos.
Esse futuro, portanto, não acontecerá por inércia. Ele exigirá visão estratégica, investimentos consistentes em ciência, tecnologia e inovação, além de um esforço coordenado entre governos, empresas, universidades e sociedade civil.
É fundamental estruturar cadeias que multipliquem benefícios sociais, econômicos e ambientais, com inclusão de agricultores, diversificação produtiva e bioindustrialização regional.
O Brasil tem uma oportunidade única de transformar abundância em liderança. Para isso, o país precisa reconhecer o valor da biomassa, criar condições regulatórias e institucionais favoráveis e consolidá-la como ativo central do desenvolvimento sustentável.
O momento é de ousadia: biocombustíveis avançados, bioinsumos, química verde e novos materiais já estão ao nosso alcance. Assumir o protagonismo significa não apenas protagonismo significa não apenas l rumo à sustentabilidade, mas também projetar o país como potência bioeconômica no mundo.
*Maurício Antônio Lopes é pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)
As ideias e opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva de seu autor e não representam, necessariamente, o posicionamento editorial da Globo Rural

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