A DERF (Delegacia Especializada em Repressão a Roubos e Furtos) concluiu as investigações envolvendo uma organização criminosa gaúcha que aplicou o chamado “golpe dos nudes” em diversas vítimas de Campo Grande.

Segundo a Polícia Civil de MS, o golpe funciona da seguinte forma: os criminosos cadastram um perfil falso em uma rede social, com denominação, imagens e outras características de uma mulher jovem, com aparência que varia aproximadamente entre 16 e 25 anos.
Este perfil então adiciona e inicia diálogos com a vítima, cujos alvos prediletos são homens, normalmente de meia-idade ou idosos, por vezes casados. O perfil fake conversa e inicia o flerte com a vítima alvo.
Bem elaborados, os perfis possuem um número considerável de amigos virtuais, realizam postagens diversas e até adicionam amigos das vítimas, levando a crer que o perfil é real.
Em certo momento, o envio de fotos sensuais e íntimas faz com que a vítima, que já acredita que aquele perfil é verdadeiro, seja cobrada também para encaminhar seus próprios nudes, e assim o golpe evolui para outra fase.
Na segunda fase é realizado outro contato com a vítima, e agora, uma pessoa se apresenta como um familiar da suposta adolescente e exige valores financeiros como uma “reparação” de um dano emocional causado à jovem pelas trocas de “nudes”.
Após um tempo, em novo contato, uma pessoa se apresenta como delegado de polícia, dizendo que a jovem do perfil falso é uma menor de idade e que por isso a troca de imagens íntimas entre a vítima e o perfil da jovem constituiriam crimes de pedofilia, o que resultaria em prisão, ação penal e exposição.
Segundo a polícia civil, a vítima passa a acreditar no suposto familiar e no falso delegado, sendo levado a pensar que cometeu uma grave ilicitude e que responderá criminalmente, cedendo às condições exigidas pelos criminosos, que pedem transferências de quantias para contas bancárias.
Identificação do suspeito
Eric Basso da Silva possui antecedentes por porte ilegal de arma de fogo e tráfico de drogas, e esteve custodiado em presídios gaúchos com outros integrantes da organização. Seu último endereço conhecido é na cidade de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul.
Além de ser apontado como o mentor do esquema e responsável por indicar as contas para recebimento dos valores extorquidos. Eric também teria contratado um detetive particular para monitorar uma das vítimas e seus familiares, enviando fotos da rotina deles como forma de intimidação.
O suspeito que teve a prisão decretada e mais 14 pessoas foram indiciadas por extorsão e integrar organização criminosa.
Os inquéritos policiais já foram relatados pela DERF e encaminhados ao Poder Judiciário para o Ministério Público avaliar o oferecimento da denúncia em face dos investigados.
A DERF contou com apoio do DERCC (Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Informáticos) e da DRPCPE (Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos), ambos do estado do Rio Grande do Sul.