Se estivesse começando sua seleção agora, em pleno século XXI, palco das receitas infalíveis das redes sociais e dos “zaps” e seus aconselhamentos técnicos imperiosos, qual critério adotaria: raça, conformação ou avaliações genéticas?
É possível que você já tenha recebido mensagens apocalípticas, assistido a vídeos messiânicos, ouvido longos podcasts e comentários inflamados em leilões em que predomina um ou outro aspecto, sempre proclamados como a verdade absoluta.
Não vou seguir nesse caminho para não me tornar, hipocritamente, outro “falso profeta”, mas vou arriscar alguns palpites. Em primeiro lugar, é preciso dizer que você nasceu na melhor época da humanidade: a informação flui em todos os sentidos, a maior parte das doenças está erradicada e a expectativa de vida é a maior desde que o homem surgiu no planeta.
E se você está lendo isso, muito provavelmente não faz parte do exército famélico de 2,3 bilhões de pessoas que luta diariamente para sobreviver e comer. Assim, eu me atrevo a dizer que talvez o propósito basilar de sua seleção deveria ser o de contribuir para o aumento sustentável da produção de alimentos.
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Encarar a seleção como missão de vida ajuda a enfrentar os revezes do caminho, pois, em genética, nem sempre dois e dois são quatro. Agora já posso te dar as boas-vindas ao mundo das incertezas, ou melhor, das probabilidades.
Se você é do tipo que só aceita o preto no branco e previsões infalíveis, devo adverti-lo de que seleção não é exatamente a sua vocação. As espécies que conhecemos formaram-se ao longo de milhões de anos, experimentando trilhões de combinações genéticas.
Um sem-número de protótipos candidatos foram eliminados por não se ajustarem ao meio ao seu redor, e outros prevaleceram, transmitindo seus genes às gerações seguintes. Isso é seleção natural. Quando interferimos nesse processo, trocamos a sapiência da mãe natureza por nosso gosto pessoal.
É a seleção artificial — e aí é preciso cautela e aprender a primeira lição: a seleção dos animais deve ocorrer no mesmo ambiente onde suas progênies serão criadas.
Assim, não se curve isolada e exageradamente à raça, à conformação ou às avaliações genéticas, mas use-as todas simultaneamente na seleção, pois elas abordam aspectos muito diferentes.
Combine-as de forma racional: conformação entregará o melhor no tempo presente; raça vai garantir perenidade e replicação de resultados; e as avaliações raça vai garantir perenidade e replicação de resultados; e as avaliações jogo de baralhos da genética, lembrando-o sempre que o tempo ainda é o melhor crítico da seleção.
*Luiz Josahkian é superintendente técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ)
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