Estância Colorada é referência em aproveitamento de resíduos

Na Estância Colorada, em Jateí (MS), os resíduos da criação de suínos recebem novos destinos: circulam pelos motores, irrigam a terra e contribuem para a manutenção da biodiversidade na fazenda. À frente da operação está o médico-veterinário e produtor Celso Philippi Junior.

Estância Colorada

Estância Colorada

Com 270 hectares, sendo 204 destinados à produção e 66 preservados, a propriedade é referência em suinocultura integrada e fornece animais para grandes empresas e marcas, como a Seara, do grupo JBS. Dar um destino adequado ao grande volume de resíduos que a atividade gera levou a Colorada a investir em biodigestores.

Leia mais:

O combustível que sai dos equipamentos abastece motores adaptados e gera cerca de 80.000 kWh de eletricidade por mês. Três usinas fotovoltaicas são responsáveis por outros 25.000kWh. “Hoje, todo o consumo das granjas, das 18 casas de funcionários e da minha família é atendido por energia renovável”, diz Philippi.

Estância Colorada — Foto: Estúdio de Criação
Estância Colorada — Foto: Estúdio de Criação

A água que se coleta na propriedade também faz parte de ciclos integrados. Duas cisternas armazenam mais de 5 milhões de litros de água da chuva. Essas estruturas abastecem os tanques de piscicultura, que abrigam oito espécies, e também a fertirrigação de 75 hectares de pastagens.

“Eu não tenho custo adicional para lançar esse dejeto na pastagem”, conta o produtor. Ele detalha que, normalmente, bombear e distribuir os resíduos exigiria motores pesados e caros, mas, na Colorada, a energia que a própria fazenda gera facilita essa operação.

Estância Colorada tem área total de 270 hectares, sendo 66 hectares preservados — Foto: Lúbina Laguna
Estância Colorada tem área total de 270 hectares, sendo 66 hectares preservados — Foto: Lúbina Laguna

O cultivo de eucalipto complementa as iniciativas de diversificação na propriedade. A fazenda transforma a madeira desses plantios em cavaco, e a bioenergia que se obtém da biomassa abastece indústrias da região.

A sombra das árvores faz parte de um sistema de integração pecuária-floresta, que melhora o bem-estar do gado e fortalece o rendimento da atividade. Além de tomar conta da produção na fazenda, Celso Philippi leva sua experiência para contribuir com o desenvolvimento do setor.

Ex-presidente e atual conselheiro fiscal da Associação Sul-Mato-Grossense de Suinocultores (Asumas), ele coordena um projeto que reúne resíduos de diferentes propriedades para transformá-los em biogás e biometano. O projeto, de escala estadual, pretende aumentar a geração de energia e reduzir as emissões de metano.

A Estância Colorada integra ainda o Programa Leitão Vida, iniciativa do governo de Mato Grosso do Sul que tem como objetivo fortalecer a suinocultura de forma sustentável, com foco na saúde do rebanho e na modernização das granjas.

A iniciativa inclui incentivos financeiros e assistência técnica para a adoção de práticas de biosseguridade, bem-estar animal e sustentabilidade.

Celso Philippi adotou padrões de manejo e criou uma estrutura que priorizam conforto térmico, espaço e higiene no ambiente de instalação dos suínos. O sistema de alimentação dos animais é totalmente automatizado, o que, conta o produtor, reduz drasticamente os riscos de contaminação.

Fonte


Publicado

em

por

Tags:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *