Em queijaria de Brasília, as cabras são as 'patroas'

Em Brasília, o centro do poder no país, também há espaço para a combinação entre agropecuária e sustentabilidade. Um exemplo é a Cabríssima Queijaria Artesanal, que em pouco mais de cinco hectares reúne criação de cabras, produção de laticínios e turismo rural, em um trabalho que alia preocupação com os bons resultados tanto quanto com o meio ambiente.

Cabríssima

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A marca está há apenas cinco anos no mercado, mas trabalhar no campo já era o sonho de Aurelino de Almeida Sampaio Filho e Giovana Navarro Santana de Almeida muito antes de eles se conhecerem em Brasília, em 1976. Depois do casamento, o casal baiano criou porcos, galinhas ornamentais, codornas e coelhos, mas foi com as cabras da raça saanen que o coração bateu mais forte.

“Nós criamos cabras em dois momentos. A primeira vez foi porque a nossa filha tinha intolerância à lactose e achamos, na época, que o leite de cabra não tinha lactose. Ele tem, só que não faz o mesmo efeito que o de vaca. Aí começamos a criação. Gostamos tanto que surgiu o Capril Chalé Serrano, em 1993”, conta Aurelino.

Rebanho conta com 150 cabras, sendo que 70 estão em lactação — Foto: Filipe Barbosa
Rebanho conta com 150 cabras, sendo que 70 estão em lactação — Foto: Filipe Barbosa

Anos depois, quando o negócio nem existia mais e ambos estavam aposentados, os caprinos voltaram à cena – e, desta vez, para ficar.

“Há oito anos, nossa primeira neta nasceu com dificuldade na amamentação. Os médicos receitaram fórmula, mas ela não se adaptou. Depois de seis meses, decidi comprar uma cabra para ter leite e dar à neta, mas voltei com dez. E ainda peguei mais cinco na sequência. Demos o pontapé de novo”, lembra o produtor.

E o que, inicialmente, era a busca por um alimento adequado e nutritivo para a neta acabou se transformando em uma empresa com 150 cabras – desse grupo, 70 estão em lactação e produzem 120 litros de leite por dia –, diversos produtos derivados e 27 medalhas de ouro, prata ou bronze em concursos nacionais e internacionais.

“Nós colocamos muito amor no que fazemos. É sonho, cuidado, conhecimento, sistema de gestão. As cabras são as nossas patroas, elas têm que estar felizes”, diz Giovana.

Cabríssima Queijaria — Foto: Estúdio de Criação
Cabríssima Queijaria — Foto: Estúdio de Criação

Ao mesmo tempo em que prioriza o cuidado diário com os animais, o casal segue dedicado à missão ambiental. Entre as práticas na propriedade estão a criação de dois bosques, nos quais foram plantadas espécies como pau-brasil, jacarandá, aroeira, ipê e cedro, além de espécies exóticas e árvores frutíferas.

“Quando compramos esse local, em 1988, ele não tinha uma árvore. O nosso lema é o cuidado. O meio ambiente é o que sustenta a gente”, ressalta Aurelino.

Placas solares na sede da Cabríssima — Foto: Filipe Barbosa
Placas solares na sede da Cabríssima — Foto: Filipe Barbosa

Giovana, que é responsável direta pelo turismo rural na propriedade, declara que ensinar os visitantes sobre a importância de preservar a natureza é mais uma ação que a família resolveu colocar em prática.

“A gente trabalha a conscientização. Abrimos nossa fazenda para receber escolas, universidades e crianças com necessidades especiais, que encontram aqui um espaço de acolhimento e contato verdadeiro com a natureza. Compartilhar nosso propósito com a comunidade é tão valioso quanto o queijo que produzimos”, diz.

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