Os produtores de cacau da África Ocidental podem até se beneficiar do fenômeno La Niña, que tende a voltar ainda neste ano, provocando maior umidade, temperaturas amenas e menor risco de secas. Por outro lado, a sanidade das lavouras preocupa alguns cacauicultores locais.
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Jean Marie Koffi Kouadio é um desses produtores. Ele tem uma fazenda de 100 hectares no município de Abengourou, na região leste da Costa do Marfim, próximo à fronteira com Gana.
Em entrevista ao Valor, Kouadio demonstrou preocupação com as pragas do cacau, ainda que esteja animado com os preços da commodity. Na última temporada, o cacauicultor marfinense colheu 35 hectares do fruto, mas para a nova safra a área produtiva deve cair para 20 hectares em decorrência do “swollen shoot”, doença viral que causa o inchaço dos brotos da planta, explicou.
Segundo o portal “News Ghana”, a incidência do vírus atingiu níveis alarmantes no oeste africano, inclusive em Abengourou, cidade em que Kouadio vive, e que faz parte de uma importante região produtora de cacau. As cepas mais graves do vírus podem reduzir a produtividade em até 70% e causar a morte das árvores em até dois a três anos após a infecção, de acordo com a publicação.
Apesar do otimismo de analistas com o clima no oeste da África, Jean Marie Koffi Kouadio está cauteloso. Segundo o produtor, as condições climáticas não estão positivas. “As chuvas começaram tarde, só agora no fim de setembro”, disse. Diante desse cenário, ele acredita que o déficit na produção pode continuar para o novo ano-safra. “Ainda acredito que teremos escassez de cacau”, afirmou.
Por outro lado, Kouadio observou que os preços ainda seguem atrativos. E, na última semana, os produtores locais receberam uma notícia que pode fazer a diferença para o bolso.
O Conselho do Café e Cacau (CCC), responsável pela regulamentação e gestão da cadeia produtiva do cacau e do café da Costa do Marfim, definiu na última quarta-feira (1/10) o preço mínimo pago ao produtor de cacau para a safra 2025/26. O valor fixado em US$ 5.010 cresceu 55% em relação aos US$ 3.220 do último ciclo, e é o maior preço pago aos agricultores marfinenses na história.

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