26 dos 34 acusados de tentar um golpe de Estado já apresentaram suas defesas e chamaram até o presidente Lula como testemunha. O ex-presidente Jair Bolsonaro e o ministro do STF, Alexandre de Moraes, também figuram na lista.
O que aconteceu
Os denunciados entregaram a defesa prévia na última semana. É a oportunidade de os advogados argumentarem contra a abertura dos processos, que podem dar mais de 30 anos de prisão a seus clientes. A defesa dos demais denunciados ainda pode apresentar defesa até amanhã (10/3) e indicar mais testemunhas.
Caso a ação penal seja aberta, testemunhas serão chamadas. Os acusados convocaram 130 pessoas até agora. A lista inclui militares de alta patente, ex-ministros, senadores e delegados da PF.
As presenças de Lula e de Bolsonaro se destacam, mas a inclusão não significa que irão depor. Se não ficar demonstrada a pertinência da testemunha para o caso, a Justiça pode negar que eles sejam ouvidos.
Ex-comandante do Exército é o nome que mais aparece. Quatro denunciados já pediram o general Freire Gomes como testemunha. O senador Hamilton Mourão (Republicanos) e o ex-ajudante de ordens Mauro Cid foram chamados por três denunciados até o momento.
Os acusados também podem desistir de convocar uma testemunha. Mas a lista atual é recheada de autoridades. A relação abaixo contém os 10 nomes mais proeminentes.
Lula, Flávio Dino e Moraes
O trio foi convocado por um militar acusado de planejar assassinatos. O tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo é um dos ‘kids pretos’ suspeito de planejar matar Lula e Alexandre de Moraes.
A defesa justifica que a oitiva do ministro do STF na qualidade de vítima é ‘absolutamente necessária’. Os advogados ressaltam que Moraes foi mencionado pelo menos 43 vezes na peça acusatória.
Perfis bolsonaristas alfinetaram Moraes nas redes sociais. Eles alegaram que o pedido deve ser negado, mas expõem que o ministro é juiz e vítima na mesma causa.
Quanto a Flávio Dino, a convocação se refere ao cargo anterior. Hoje no STF, ele era ministro da Justiça em 8 de Janeiro.

Tarcísio de Freitas
Defesa de Bolsonaro pediu que governador de São Paulo testemunhe. Ex-ministro da Infraestrutura no governo de Jair Bolsonaro, ele conseguiu se eleger no estado em 2022 na esteira do bolsonarismo.
Governador é um dos nomes cotados da direita para disputar a Presidência da República em 2026. Segundo a colunista do UOL Raquel Landim, Bolsonaro fez o pedido de depoimento diretamente à Tarcísio, que aceitou.

José Múcio Monteiro
O ministro da Defesa do governo Lula foi chamado pelo ex-ministro da Defesa de Bolsonaro. Paulo Sérgio Nogueira, que é general da reserva, quer que atual titular da pasta seja ouvido caso o STF aceite a denúncia.
Nogueira nega ter pressionado comandantes para apoiarem minuta golpista. Sua defesa alega que ele estava alinhado ao comandante do Exército na época, general Freire Gomes, que era contrário à assinatura da minuta golpista.
Investigação aponta que o então ministro da Defesa mostrou a proposta de minuta golpista aos comandantes das três Forças. Sua defesa nega que ele tenha pressionado os militares.
Jair Bolsonaro
Sargento do Exército pediu o próprio ex-presidente como testemunha. Giancarlo Gomes Rodrigues quer que ex-presidente deponha como parte de sua estratégia de defesa. Bolsonaro já é acusado de ser o líder da organização criminosa que planejou um golpe para mantê-lo no poder em 2022.
Giancarlo é acusado como um dos integrantes da ‘Abin paralela’. Militar estava cedido à agência de inteligência em 2022 e atuava como parte do grupo que produzia e difundia dossiês com fake news para manter a retórica golpista, segundo a denúncia da PGR.
Valdemar Costa Neto
Político foi mencionado por um engenheiro acusado de tentar desacreditar a Justiça Eleitoral. Carlos Rocha se diz criador da urna eletrônica e entrou com um pedido de patente do equipamento em 1996.
O acusado comandava o IVL (Instituto Voto Legal) e produziu uma auditoria sobre a eleição. O serviço foi contratado por Valdemar Costa Neto, presidente do PL, partido de Bolsonaro.
O engenheiro alega que o uso político da auditoria é responsabilidade do PL. O partido usou o estudo do IVL para pedir anulação de parte dos votos do segundo turno da corrida presidencial.
Fabio Alvarez Shor
Delegado da PF responsável pela investigação sobre tentativa de golpe também foi arrolado. O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Marcelo Câmara, e o agente da PF, Wladimir Mattos Soares, querem que ele seja ouvido. Como revelou o UOL, delegado relatou sofrer ameaças uma semana após indiciar Bolsonaro.

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