Conheça as chakras, sistema agrícola ancestral do Equador

Nas comunidades Kichwa, situadas nos Andes do norte do Equador, entre 2.500 e 3.400 metros de altitude, a agricultura é organizada em pequenas propriedades chamadas chakras. Nesses espaços, diversos cultivos coexistem em áreas reduzidas, permitindo o aproveitamento eficiente do terreno e a manutenção da biodiversidade.

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Durante o dia, as famílias se ocupam de tarefas como separar e limpar grãos, selecionar as sementes mais saudáveis para o próximo plantio e organizar os alimentos que serão destinados aos mercados locais. Essas práticas, transmitidas de geração em geração, garantem tanto a produção de alimentos para consumo próprio quanto a preservação de variedades nativas, reforçando a segurança alimentar das comunidades.

Como funciona essa forma de agricultura?

De acordo com material da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), as chakras são pequenas áreas agrícolas onde são cultivadas dezenas de espécies ao mesmo tempo — milho, feijão, quinoa, abóbora, frutas, plantas medicinais e forragem para animais. Esses espaços reúnem produção agrícola e conhecimento tradicional, mantidos principalmente pelas mulheres, responsáveis por selecionar e guardar as sementes nativas. Em 2023, esse sistema foi reconhecido como Patrimônio Agrícola de Importância Global.

A própria geografia das montanhas contribui para essa diversidade. Os diferentes platôs, chamados de pisos climáticos, criam microclimas variados, permitindo o cultivo de uma grande variedade de alimentos mesmo em áreas reduzidas.

Hoje, as mudanças climáticas representam um desafio adicional: chuvas irregulares, secas prolongadas e novas pragas ameaçam a produtividade e a continuidade desse conhecimento ancestral. Para se adaptar, as agricultoras combinam a sabedoria transmitida por gerações com novas técnicas de manejo.

Com apoio da FAO e de organizações locais, surgem iniciativas que fortalecem essa rede: intercâmbio de sementes mais resistentes, capacitações em gestão e comercialização e grupos de poupança solidária que oferecem microcréditos e estimulam o investimento coletivo na produção.

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