Palanque de Lula dividido em PE?
Um dos maiores entusiastas da filiação de Raquel é o ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, presidente do PSD em Pernambuco. “O partido todo está celebrando esse ingresso, e ela chega a um partido que tem contribuído muito com o sucesso do governo Lula“, disse à coluna.

André diz que a chegada de Raquel torna a governadora líder natural do partido e abre uma janela para que ela esteja junto a Lula na eleição de 2026, quando tentará a reeleição.
A busca da reeleição, sabe-se, será dura: segundo pesquisa Quaest divulgada no dia 27, Campos venceria Raquel já no primeiro turno se as eleições fossem hoje, com 56% das intenções de voto. A governadora teria 28%.
Campos tem uma excelente relação com o presidente Lula e deve contar com o PT em sua chapa na eleição de 2026, provavelmente com a sigla indicando o nome de Humberto Costa (PT) para reeleição ao Senado.
André de Paula diz que ainda é cedo para se definir algo sobre 2026 —até porque o PSD não confirma apoio à reeleição de Lula. Mas ele enfatiza que a saída de Raquel do PSDB cria um novo cenário político.
“Onde a governadora estava (PSDB), não haveria essa possibilidade. No PSD, há uma aproximação diferente, e abre a possibilidade de Lula estar nos dois palanques. Antes era uma possibilidade inexistente”, afirma.
A coluna tentou falar com a governadora, mas a assessoria de Raquel não respondeu ao pedido de entrevista feito na sexta-feira.

Vai fortalecer governo, diz analista
Para o cientista político Arthur Leandro, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), a ida de Raquel para o PSD deve facilitar a obtenção de recursos e apoio político para Pernambuco, levando a um diálogo maior com lideranças próximas ao Planalto.
“Isso fortalece sua administração e facilita investimentos do governo federal chancelados com a marca do governo do Estado”, diz.
Ele afirma que a saída da governadora também é uma forma de escapar do isolamento político que enfrentaria no PSDB, “um partido em franco declínio”. Agora, os tucanos contam apenas com um governador: Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul.
Essa estratégia de Raquel pode ser decisiva para enfrentar João Campos. Ao demonstrar boa relação com o governo federal, Raquel pode atrair eleitores que valorizam essa conexão e reduzir a polarização da disputa. A aproximação com Lula também dilui o apoio que Campos espera contar junto à esquerda em Pernambuco, tornando a eleição mais equilibrada.
Arthur Leandro
Também nesse cenário, Arthur cita que Raquel não deve perder o apoio de que desfruta junto ao eleitorado à direita, “que tende a escolhê-la numa eventual disputa contra João Campos.”
O bolsonarismo deve lançar um candidato ao governo do Estado, mas ele não deve ir ao segundo turno. Os votos, então, devem ser decididos pela rejeição a um dos candidatos; e os bolsonaristas tendem a votar nela, para não votar no candidato de Lula. Essa estratégia, aliás, foi exitosa [no segundo turno contra Marília Arraes, Solidariedade] em 2022.
Arthur Leandro

Raquel Lyra foi eleita em 2022 em “cima do muro”: não declarou voto em Jair Bolsonaro (PL) ou em Lula no segundo turno, e essa era uma das maiores críticas de sua rival Marília à época. Entretanto, a estratégia de sair da polarização lhe rendeu uma vitória marcante no segundo turno, quando teve 58,7% dos votos válidos.
Raquel foi o único nome sem apoio de Lula que venceu a eleição para governo no Nordeste, mas desde o começo deixou claro que não iria brigar com o governo federal; ao contrário: sempre usou tom elogioso a Lula e assinou notas de apoio ao presidente pelo Consórcio Nordeste, por exemplo.
Em suas redes sociais, posta sempre com ministros e faz agradecimentos pelas parcerias com a União.

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