O governo Lula (PT) alega que o crescimento nos contratos de publicidade traz maior transparência, mas se contradiz ao manter dados importantes sob sigilo, exatamente da mesma forma como praticado pela gestão de Jair Bolsonaro (PL), avaliou o colunista Josias de Souza no UOL News desta segunda.
Os contratos de publicidade de ministérios, bancos e estatais podem chegar a R$ 3,5 bilhões neste ano. Esta expansão vem no mesmo momento em que a popularidade do governo Lula apresenta baixos índices.
Não há melhor propaganda para o governo do que o bom trabalho. Se você está carregando na propaganda e jogando dinheiro na fogueira da publicidade, é porque se quer substituir o mau desempenho por uma promoção paga das suas atividades.
Sob Lula, está se descobrindo que a publicidade oficial pode custar R$ 3,5 bilhões nesse ano. É muito dinheiro. Uma das razões mencionadas é que o governo quer divulgar marcas como o Pé-de-Meia, da pasta da Educação e que dá seus primeiros passos, e o Mais Acesso a Especialistas, do Ministério da Saúde e que nem deslanchou ainda.
É preciso levar em conta que o único lugar no qual a propaganda vem antes do trabalho é no dicionário. Carrega-se na propaganda para trombetear programas que ainda não surtiram o efeito desejado em termos de prestação de serviços à sociedade. Josias de Souza, colunista do UOL
Para Josias, o governo federal amplia seus gastos com propaganda de forma desnecessária e exibe um contraste entre um discurso por maior transparência e a manutenção de sigilos sobre questões importantes.
Alega-se também que é preciso melhorar a transparência do governo. Esse é um argumento muito esquisito para uma gestão que mantém sob o manto do sigilo os gastos do cartão corporativo do Lula, a lista de visitantes da Janja e a declaração de interesses difusos do ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia.
Lula disse que levantaria todos esses sigilos, mas faz o mesmo que Bolsonaro fazia. Agora alega que quer dar transparência e por isso está contratando tanta agência de publicidade.
Entre os contratos mais disputados, está a conta dos Correios, em um negócio de R$ 380 milhões disputado a tapa pelas agências. Nos últimos dois anos, os Correios operaram no vermelho. A despeito disso, a estatal elevou os gastos com a folha salarial dos seus dirigentes. Há no senado um pedido de CPI dos Correios, que já conta até com as assinaturas.
Alguém já disse que com uma boa propaganda se vende até ovo sem casca. Mas na fase em que o brasileiro não consegue comprar nem ovo com casca, a publicidade oficial pode ser vista como a antiga modalidade de se jogar dinheiro público pela janela. Não me parece uma prioridade do governo elevar seus gastos com publicidade. O governo precisa trabalhar e mostrar serviço. Josias de Souza, colunista do UOL
Tales: Gleisi começa mal como articuladora com possível crise com Edinho
Gleisi Hoffmann entra no governo Lula já com sua capacidade de articulação em xeque, uma vez que se envolveu em um possível desentendimento com Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara e que conta com a simpatia de Lula para sucedê-la na presidência do PT, analisou o colunista Tales Faria.
Ao focar esse discurso na Gleisi, Edinho está denunciando a possível manobra dela contra ele. Naquela reunião, na casa da Gleisi com pessoas ligadas a ela, foi feita uma lavagem de roupa suja contra o Edinho na frente do Lula. Depois, esse encontro foi vazado. Gleisi começa mal como articuladora política se for protagonista dessa possível crise entre ela e o Edinho logo de saída.
Isso mostra outra coisa: Lula estava certo em começar a reforma ministerial pelo PT. O partido está desorganizado, rachado, como sempre esteve. Mas se partir para uma campanha difícil como será a de 2026 com o partido rachado e em guerra, já era. A primeira coisa que Lula precisava fazer era arrumar o PT.
Essa reunião mostrou que o PT está de fato desarrumado e que há um embate contra o Edinho, possivelmente entre ele e Gleisi, e isso precisa ser solucionado. Tales Faria, colunista do UOL
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