Esquema que movimentou milhões com jogos ilegais era divulgado por influenciadores

O esquema de uma facção criminosa para jogos de azar por meio de “raspadinhas”, desarticulado na Operação Raspadinha do Crime, na última terça-feira (14.10), era divulgado por influenciadores digitais, segundo a Polícia Civil. Mais de 80% dos lucros arrecadados eram revertidos para o financiamento das atividades de uma facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios do estado.

Durante a operação, foram cumpridas 111 ordens judiciais, incluindo 21 mandados de prisão preventiva, 54 de busca e apreensão e bloqueios de mais de R$ 1,1 milhão em contas bancárias.

Operação expõe esquema milionário de raspadinhas falsas ligado a facção criminosa. (Foto: PJC-MT)
Operação expõe esquema milionário de jogos de azar ligado a facção criminosa. (Foto: PJC-MT)

As investigações identificaram que o grupo criminoso instalou núcleos regionais em mais de 20 cidades onde eram revendidas as raspadinhas falsas, coordenados pelos próprios integrantes, chamados de “irmãos da facção”. Parte dos envolvidos, incluindo menores de idade, atuava como influenciadores digitais e pequenos empreendedores, publicando vídeos nas redes sociais com o perfil “Raspa Brasil” para promover os jogos como se fosse uma ação promocional legítima.

Segundo a polícia, a primeira publicação ocorreu no dia 23 de março deste ano, por meio do perfil no Instagram criado especificamente para divulgação do projeto. Vários jovens, com grandes números de seguidores nas redes sociais, foram aliciados pelo grupo criminoso para divulgar os vídeos, o que ajudou a naturalizar a prática e ampliar o alcance da “marca” na internet.

Além deles, comerciantes, donos de bares e distribuidoras também contribuíam para a promoção e expansão do esquema. Entre os envolvidos, uma influenciadora digital se apresentava como “representante” do projeto, produzindo dezenas de vídeos em que promovia o jogo.

Como funcionava o esquema

Esquema criminoso de venda de raspadinhas era divulgado por influenciadores digitais. | Foto: Polícia Civil
Esquema criminoso de venda de raspadinhas era divulgado por influenciadores digitais. | Foto: Polícia Civil

As cartelas de raspadinha eram enviadas por transportadoras comuns, acompanhadas de notas fiscais falsas, para disfarçar o verdadeiro conteúdo dos malotes. Cada raspadinha era vendida por R$ 5, com a promessa de prêmios de até R$ 50 mil, o que atraía apostadores.

Os supostos ganhadores eram orientados a escanear um QR Code que os levava a um número de WhatsApp. Por meio desse contato, era feito o “resgate” dos prêmios, mas as investigações mostraram que os valores pagos dificilmente ultrapassavam R$ 100.

A estrutura do grupo era hierarquizada. Alguns integrantes distribuíam as raspadinhas aos comércios, recolhiam o dinheiro arrecadado e mantinham o controle financeiro da operação. O lucro era dividido de forma padronizada:

  • 10% ficava com o distribuidor local;
  • 10% eram destinados ao comerciante que vendia as cartelas;
  • 80% restantes seguiam para o núcleo financeiro da facção, por meio de contas bancárias de terceiros.

Além disso, os chamados “irmãos” eram responsáveis por intimidar comerciantes e garantir que todos cumprissem as regras impostas pelo grupo. Caso houvesse resistência ou prejuízo à operação, a “disciplina” da facção era acionada para aplicar punições. Com essa estrutura descentralizada, o esquema se mantinha ativo em várias regiões, garantindo lucro constante e controle territorial à organização criminosa.

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