Moagem de cana do Centro-Sul deve cair 2,3% nesta safra, estima consultoria

A Datagro estima que a moagem de cana-de-açúcar da safra atual (2025/26) no Centro-Sul deve terminar com uma moagem de 607,38 milhões de toneladas, o que, se confirmado, deve representar uma queda de 2,3% em relação à safra passada. A projeção foi apresentada na 25ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol.

A produção de açúcar foi estimada em 41,42 milhões de toneladas, um aumento de 4% ante a safra passada. Já a produção de etanol total (incluindo a partir de milho) deve cair 4,9%, para 33,23 bilhões de litros. Deste volume, 20,95 bilhões de litros devem ser de etanol hidratado (queda de 7,3%) e 12,28 bilhões de litros de etanol anidro (baixa de 0,7%).

O rendimento da cana deve encerrar a safra em média em 137,41 quilos por tonelada de cana, queda de 2,6%, enquanto 52,1% do caldo da cana deve ser direcionado para a produção de açúcar, 4% a mais do que na safra passada.

Safra 2026/27

A Datagro estimou, em projeções preliminares, que a próxima safra de cana-de-açúcar do Centro-Sul (2026/27), que começará oficialmente em abril do ano que vem, deve ter uma moagem próxima de 625 milhões de toneladas, com possibilidade de variar em uma faixa de 605 milhões de toneladas a 640 milhões de toneladas.

A projeção central representa um crescimento de 2,9% em relação ao quanto a consultoria estima que será processado de cana nesta temporada.

Para a produção de açúcar, a consultoria divulgou uma projeção preliminar de 43,2 milhões de toneladas, resultado de um mix açucareiro de 52% e de um teor de sacarose na cana de 139,5 quilos de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana processada.

Se o volume de açúcar estimado se confirmar, será um aumento de 4,3% ante o que se espera que seja produzido nesta safra, ou 1,8 milhão de toneladas a mais.

Déficit global

A Datagro também estimou que a safra internacional de açúcar 2025/26, iniciada em 1 de outubro, deve ter um superávit de 1,9 milhão de toneladas, após uma temporada com déficit de 5 milhões de toneladas.

Ainda segundo a consultoria, a relação entre estoques finais e consumo nesta safra deve subir para 42,1%, ante 41,2% no fim da safra passada. Apesar do aumento, Plinio Nastari, presidente da Datagro, disse que a relação ainda está em patamar historicamente baixo.

A estimativa para o balanço global considera que o consumo mundial de açúcar vem crescendo em um ritmo menor do que na década passada, entre 0,5% a 1% ao ano, ante 1,1% a 1,5% ao ano anteriormente. Em volume, isso representa um acréscimo de 1 milhão de toneladas a 1,8 milhão de toneladas de consumo de açúcar adicionais por ano atualmente.

A Datagro ressaltou que a China está com janela de importação de açúcar aberta mesmo fora da cota, pagando tarifa de 50%, e que o país está realizando importações para recompor estoques. Já a Indonésia, outro importante polo consumidor, está com o menor volume de importação de açúcar em dez anos, dado uma política para reduzir as importações.

Do lado da produção, a Datagro estima que a Índia produzirá 32,1 milhões de toneladas, já considerando que 5 milhões de toneladas serão direcionadas para a produção de etanol. A consultoria estima que o país pode exportar 900 mil toneladas de açúcar nesta safra, mas observou que, no momento, os preços internos de açúcar e de etanol estão mais elevados do que os preços internacionais e não dão vantagem para a exportação. “A não ser que exportem para regular o mercado interno”, afirmou Nastari.

Para a Tailândia, a expectativa da Datagro é de uma produção de 11,18 milhões de toneladas, enquanto para a União Europeia, a projeção é de 15,28 milhões de toneladas.

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