A J. Macêdo, um dos principais moinhos de trigo do país, projeta um cenário de estabilidade financeira em 2026. “Estamos muito próximos da nossa atual capacidade operacional. Então, este ano muito provavelmente não teremos crescimento”, afirmou Irineu Pedrollo, CEO da companhia no Congresso Internacional do Trigo, realizado nesta terça-feira (21/10), no Rio de Janeiro. A empresa pretende concentrar seus esforços na consolidação e operacionalização de investimentos recentes.
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Segundo o executivo, o faturamento do setor é altamente sensível ao preço do trigo, e “os preços chegaram praticamente no seu limite de baixa. O espaço para nova queda é muito pequeno, porque começa a inviabilizar o produtor”, disse.
O fato de o preço do insumo estar deprimido é bom para a indústria apenas no curto prazo, reiterou, mas desincentiva o cultivo e afeta o abastecimento no futuro.
Apesar do cenário, a J. Macêdo encerra um ciclo robusto de investimentos, onde R$ 800 milhões foram aplicados, sendo R$ 600 milhões em duas novas plantas — um moinho em Londrina (PR) e uma fábrica de massas e misturas em Horizonte (CE), na grande Fortaleza — e R$ 200 milhões destinados à modernização e aumento de eficiência. Ambos os projetos têm financiamento do BNDES e da FINEP e devem ampliar em cerca de 30% a capacidade produtiva da empresa, segundo o CEO.
A consolidação desses investimentos será prioridade em 2026, disse Pedrollo, destacando que, em um cenário de juros elevados, a empresa adotará uma postura cautelosa quanto a novas expansões.
Em relação ao mercado de capitais, o executivo indicou que, apesar de a empresa estar estruturada como companhia aberta há mais de 15 anos, não há previsão de abrir capital. “A janela de IPOs está fechada há algum tempo. Não é um momento legal para isso”, afirmou.
Sobre a política comercial, Pedrollo defendeu a precificação que reflita a necessidade de retorno sobre os investimentos. “Não significa vender mais caro, mas estabelecer o preço com base na remuneração necessária para permitir os investimentos”, afirmou, ressaltando a importância de manter o ciclo de geração de lucro para sustentar novos aportes.
Segundo Pedrollo, a produção recorde na Argentina deve pressionar o mercado, mas dificilmente os preços cairão ainda mais. “Novas reduções de preço vão gerar desestímulos de produção, e isso não é interessante para o mercado”, concluiu.

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