O vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, Gilson Bittencourt, afirmou nesta terça-feira (21/10) que há uma preocupação interna com o ritmo de acesso às operações de custeio para a safra, que está mais lento neste início de temporada.
Leia também:
Com a inadimplência em alta no campo, o BB reforçou exigências de garantias adicionais, mas deve reavaliar o peso dessas medidas de minimização de riscos, o que também deve ajudar a melhorar o fluxo dos empréstimos.
Bittencourt espera que os custeios sejam retomados à medida que as renegociações de dívidas rurais sejam formalizadas e abram espaço para novos financiamentos aos agricultores adimplentes.
“A expectativa é retomar de forma mais intensa a questão do custeio. Estamos avaliando efetivamente o desempenho e vendo onde precisamos ser mais ou menos duros na concessão de crédito. Com o aumento da inadimplência, não tem como uma instituição financeira não criar mecanismos para reduzir os riscos”, afirmou durante reunião com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
Segundo ele, algumas medidas poderão ser revistas. Questionado por representantes de entidades de produtores sobre a cobrança de outras exigências em novas operações, como garantias adicionais e alienação fiduciária, Bittencourt disse que esse é um processo comum e necessário nas instituições financeiras em momento de maior inadimplência.
“Quando tem aumento de inadimplência é comum que se busque mais garantais para seus créditos. Temos tentado fazer essa discussão. Começamos em um nível mais duro e estamos reavaliando o tempo todo”, apontou.
A principal dificuldade, apontou o dirigente, é com produtores arrendatários, ou seja, que não podem colocar as terras como garantia das operações.
“Estamos tentando reavaliar produtores que têm histórico mais positivo. Quando olhamos sua posição e tende a manter a adimplência, podemos ser menos exigentes. Para aqueles que tudo indica situação de inadimplência, vamos pedir garantia adicional, não tem como fugir disso”, admitiu.
Bittencourt ponderou, no entanto, que “às vezes o aperto é maior que o necessário” e que algumas mudanças já foram feitas internamente recentemente. “Não queremos reduzir nossa carteira”, alertou.
Com a demora para operacionalizar as linhas de renegociações de dívidas, muitos produtores não resolveram suas situações para acessar novos custeios, o que pode explicar em parte a queda nos desembolsos dessa modalidade no primeiro trimestre da safra 2025/26.
“Tem muito produtor na expectativa. Pela demora para iniciar a operação de renegociação, não foi resolver sua situação e estava difícil pensar novo crédito sem discutir o anterior”, disse. “A expectativa é que na medida em que começa a operar resolve problema e ajuda a acelerar as contratações. Mas o custeio é uma preocupação, sim”, revelou.
Bittencourt afirmou ainda que espera alguma redução nas operações de investimentos, o que na visão dele é “normal” e até “necessário” em alguns casos para ajuste de fluxo de caixa de produtores.
“Seja pelas taxas de juros ou fluxo de caixa, fazer ajuste nos investimentos é um caminho recomendado para quem está mais apertado”, apontou.

Deixe um comentário