Empresa que usou Leonardo em golpe de R$ 48 milhões “some”; mestre de obras e esposa perdem tudo

Centenas de famílias que adquiriram lotes nos empreendimentos Residencial Munique Smart Life I, II e III, em Querência, Mato Grosso, enfrentam pesadelo após a empresa AGX Participações e Empreendimentos Ltda., do empresário Aguinaldo José Anacleto, deixar de prestar atendimento, fechar sua unidade na cidade e abandonar os projetos. Entre os afetados estão o mestre de obras Eloizio Ramos Cardoso e sua esposa, Maria da Glória Rodrigues Bandeira Ramos, que perderam tudo ao investirem suas economias na compra de lotes.  Aguinaldo é acusado de aplicar golpe de R$ 48 milhões por meio da venda das áreas, e de usar o cantor sertanejo para divulgar o empreendimento e passar confiança aos então compradores.

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O casal, que adquiriu cinco lotes no Residencial Munique Smart Life I, acreditava estar realizando o sonho da casa própria. No entanto, descobriu que os lotes não possuíam registro no cartório de imóveis nem aprovação da Prefeitura Municipal de Querência. Além disso, a área onde seriam construídos os residenciais não havia sido quitada pela AGX, e há uma ação de reintegração de posse em andamento contra a empresa. 
“Confiamos na propaganda, nas promessas e na imagem do cantor Leonardo, que aparecia nos vídeos como sócio do empreendimento. Mas hoje estamos sem nada, sem resposta da empresa e sem perspectiva de receber nosso dinheiro de volta”, desabafou o casal.
A AGX, em parceria com imobiliárias e corretores locais, vendeu mais de 800 lotes nos três residenciais, utilizando uma estratégia de marketing que incluía a participação do cantor Leonardo em campanhas publicitárias. O artista, no entanto, nega ser sócio da empresa e afirma que atuou apenas como garoto-propaganda.  Apesar disso, o simples fato de ser sua imagem atrelada ao empreendimento levou diversas pessoas a confiarem no negócio.
Os consumidores foram atraídos por valores de entrada acessíveis, em torno de R$ 5.000, e parcelas mensais que variavam de 200 a 260 vezes. Muitos, como o casal Eloizio e Maria, investiram suas economias na esperança de adquirir um lote regularizado, o que não ocorreu. Na verdade, descobriram que assinaram um Termo de Adesão à Sociedade em Conta de Participação (SCP), e não um contrato de compra e venda de imóveis. 
A irregularidade do negócio foi confirmada pela Justiça, uma vez que os loteamentos não possuem licenças ambientais, projetos básicos ou aprovação da Prefeitura, o que torna a venda dos lotes ilegal, conforme a Lei de Parcelamento do Solo Urbano (Lei 6.766/1979). Além disso, a AGX está inadimplente com o proprietário das áreas dos loteamentos, devendo cerca de R$ 9 milhões. 
Com o fechamento da unidade de atendimento da AGX em Querência e a falta de resposta aos consumidores, centenas de adquirentes se viram totalmente desassistidos, inclusive o casal.
Foi então que a Associação dos Residenciais Munique, que representa mais de 100 famílias, ingressou com uma ação civil pública contra a AGX, o empresário Aguinaldo José Anacleto e o cantor Leonardo, que também são alvos de diversas outras ações individuais.
 
A Polícia Civil de Querência já instaurou inquérito para apurar possíveis crimes de estelionato e sonegação fiscal. 
O empresário Aguinaldo José Anacleto, dono do grupo AGX, já responde a mais de 30 processos na Justiça de Goiás e 10 em Mato Grosso, muitos deles relacionados a irregularidades na venda de lotes. Seu nome também está vinculado a empresas que passaram por recuperação judicial. 
A AGX, por sua vez, defende-se afirmando que o projeto do Residencial Munique Smart Life não envolvia a venda de lotes, mas sim a captação de investidores por meio de uma SCP. A empresa alega que um pequeno grupo de investidores, incentivado por um advogado, moveu ações judiciais distorcendo informações sobre o projeto. 
Enquanto a Justiça decide o futuro dos empreendimentos e das ações movidas pelos consumidores, famílias como a de Eloizio e Maria da Glória enfrentam dificuldades financeiras e emocionais. “Perdemos tudo o que tínhamos. Hoje, só queremos justiça e o dinheiro de volta para recomeçar”, diz Eloizio. 

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