Clima e rentabilidade favorecem produção de abacaxi na Paraíba

A colheita de abacaxi está em ritmo acelerado na Paraíba. Os trabalhos ocorrem durante todo o ano, mas o pico da oferta ocorre entre junho e dezembro. Na safra 2024/25, os produtores estão confiantes de que a Estado vai manter o status conquistado no ano passado, de maior produtor nacional da fruta.

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Em 2024, foram mais de 300 milhões de frutos colhidos, superando o Pará, agora segundo colocado, com uma safra de 290,4 milhões de frutos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A produção se destaca nos municípios de Pedras de Fogo, Itapororoca e Araçagi, e é conduzida principalmente por agricultores familiares. Na região predomina a variedade pérola, que representa cerca de 70% de tudo que o Estado produz.

Segundo Jefferson Morais, diretor técnico da Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer-PB), por esses municípios estarem localizados na Zona da Mata, próximo ao litoral paraibano, as frutas contam com luminosidade durante todo o ano, o que garante um bom nível de doçura.

Clima favorável

Somente em Pedras de Fogo, onde mais se produz abacaxi na Paraíba, a colheita superou 38 milhões de frutos no ano passado. No município, o produtor Otávio Barros Sobrinho espera um incremento de 20% na produção nesta safra, que deve ser impulsionada pelas condições do clima.

“De abril até agora, tem chovido o suficiente para produzir uma fruta de qualidade, que também foi beneficiada por bons períodos de sol. Dá para dizer que 70% da safra será de boa para ótima”, diz Sobrinho, acrescentando que o otimismo é compartilhado com outros produtores da região, e também da família Barros, que conta com 20 produtores de abacaxi.

Na Zona da Mata, frutas contam com luminosidade durante todo o ano, o que garante um bom nível de doçura  — Foto: Arquivo pessoal
Na Zona da Mata, frutas contam com luminosidade durante todo o ano, o que garante um bom nível de doçura — Foto: Arquivo pessoal

No que se refere aos preços, o agricultor diz que houve redução. Segundo ele, durante quase todo o ano passado, o fruto de 1,3 quilos foi negociado a R$ 4. “Este ano começou bem, mas desde maio está caindo e agora está a R$ 3. Eu espero que suba um pouco mais a partir desse mês”.

Na propriedade de Sobrinho, os frutos que alcançam esse peso de 1,3 quilos são vendidos para clientes de São Paulo, Belo Horizonte e Recife, enquanto os menores são negociados em feiras livres e mercados da região.

Já em Itapororoca, que ocupa o segundo lugar de maior produtor de abacaxi da Paraíba, o produtor Francisco Paiva estima crescimento de 20% na safra nesta temporada. Ele cultiva 25 hectares da fruta, e diz estar confiante com o resultado da colheita devido ao clima favorável.

“As chuvas começaram em abril e só pararam em setembro, tanto que eu liguei o sistema de irrigação só agora em outubro. Tivemos boa incidência de sol e essa água que caiu do céu só veio para abrilhantar o fruto”, declara.

Custos

O momento também é positivo quando o assunto é custos. De acordo com Paiva, as despesas com insumos diminuíram nos últimos dois anos, com a saca de adubo saindo de R$ 300 para R$ 150 neste ano. Com esse cenário, a margem do produtor deve melhorar.

“Ainda que o preço do quilo tenha caído de R$ 3 para R$ 2,50, ele está cobrindo o meu custo, estou satisfeito. Ano passado gastei mais com irrigação, e esse ano tive zero despesa para irrigar porque o clima ajudou”.

De volta ao topo

Jefferson Morais, da Empaer, lembra que há décadas a Paraíba se destaca na produção nacional de abacaxi.

“Entre 1980 e 1990, o Estado já era o maior produtor de abacaxi do Brasil. Mas no início dos anos 2000 houve um momento de forte baixa dos preços. Também nesse período a pecuária começou a crescer na Paraíba e muitos produtores diminuíram as áreas. Ainda assim, o Estado sempre se manteve entre os três maiores produtores da fruta”.

Já em 2024, cita o técnico, houve expansão de 0,5% na área, que chegou a 9,4 mil hectares. No que se refere à produtividade, a expectativa é ao menos manter o resultado do último ano.

“Até o momento, a colheita se mantém dentro dos parâmetros do ano passado. Vemos algumas regiões com variedade do clima, com chuva fora de época. Apesar disso, provavelmente vamos manter o número [de colheita] do ano passado”, diz Morais.

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