Brasil negocia auditoria da UE para reabrir mercado de pescados

Após garantir a retomada do sistema de pré-listing para a exportação de carne de aves para a União Europeia (UE), o Brasil negocia avanços em outras frentes que envolvem temas sanitários e de facilitação do comércio com o bloco europeu.

Reunidas nesta semana em São Paulo, as delegações brasileira e europeia discutiram avanços para a realização de uma auditoria do bloco europeu para avaliação do sistema brasileiro de pescados, um dos principais pleitos do setor e alvo de promessas de solução pelo governo, inclusive com a recriação do Ministério da Pesca nessa gestão.

A exportação do Brasil para lá está suspensa desde dezembro de 2017, após a identificação de falhas na fiscalização sanitária das embarcações de pesca, em desconformidade com as exigências europeias.

Também houve negociações para adoção do pré-listing para estabelecimentos de ovos e carne bovina, o reconhecimento mútuo de produtos orgânicos, a regionalização de enfermidades, além da certificação eletrônica e da harmonização de certificações.

O Brasil atendeu a pleitos de interesse europeu relacionados ao acesso a mercados, mas o governo não informou quais foram. Também foram debatidas as oportunidades e benefícios para os setores agrícolas de ambos os lados decorrentes da eventual conclusão do acordo Mercosul–União Europeia.

“As partes reafirmaram o compromisso com a continuidade do diálogo e a busca por soluções recíprocas para pendências de interesse comum, reforçando a parceria estratégica entre o Brasil e a União Europeia”, disse o Ministério da Agricultura, em nota. Os temas foram tratados em reunião com o comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen.

Nas redes sociais, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, salientou que ficou acordada a retomada de um mecanismo permanente de alto nível para tratar dos temas em negociação. A próxima reunião está prevista para o primeiro trimestre de 2026.

“Seguimos firmes: previsibilidade, transparência e menos burocracia para ampliar mercados, diversificar destinos e fortalecer renda no campo”, disse Rua.

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