Flávia Brunelli tem uma meta profissional ambiciosa: construir, aos poucos, uma nova cultura de consumo de carne suína no país. Chef e empresária, de família tradicional na criação de suínos Duroc, ela investe em uma vertente ainda pouco explorada no país: a produção e oferta de carne premium da raça, a partir de cortes especiais.
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Para Flávia, há um público crescente que busca carnes diferenciadas, com procedência e sabor, que representam uma oportunidade de mercado para o segmento. “O Duroc tem tudo para ocupar esse espaço. O brasileiro ainda associa carne suína a produtos tradicionais como lombo, costela e panceta, mas há um universo de possibilidades gastronômicas com cortes nobres e sabor marcante. Nosso trabalho é mostrar isso”, destaca.
Ela começou a empreender no ramo há sete anos, com a criação da casa de carnes premium Del Veneto, especializada em suínos. Mas o interesse e a vivência começaram muito antes: Flávia é de uma família italiana de criadores de Duroc, que há 90 anos tem produção em Verona, na Itália, e há 40 anos trouxe a produção também para o Brasil. Aqui, a família cria suínos em propriedade localizada no Vale do Paraíba, no Estado de São Paulo.
“Os animais utilizados pela Del Veneto atingem, em média, entre 150 e 170 quilos, com equilíbrio entre gordura e músculo, fruto de alto padrão genético”, explica Flávia.
Características diferenciadas
Considerado rústico pelos produtores, o Duroc, com grande capacidade de adaptação às condições tropicais e aos diferentes sistemas de criação, caracteriza-se pela precocidade, boa conversão alimentar e ganho de peso acelerado.
“Quando falamos em Duroc, falamos de uma raça que une rusticidade e qualidade de carne. Essa combinação é rara e explica por que ele se tornou tão importante para o melhoramento genético da suinocultura brasileira e para a gastronomia”, ressalta a chef.
A Del Veneto fornece cortes para restaurantes e hotéis, além de e-commerce para o Estado de São Paulo. Restaurantes premiados contam com cortes da casa em seus cardápios. É o caso do D.O.M., do chef Alex Atala, que utiliza ancho suíno, filé mignon suíno e panceta suína; e do restaurante Evvai, de Luiz Filipe Souza, que aposta na panceta de leitão como destaque de sua cozinha ítalo-brasileira.
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Segundo a chef, o impacto não é apenas gastronômico. “A introdução do Duroc movimenta toda a cadeia produtiva. Produtores passaram a investir em genética, manejo e bem-estar animal, enquanto frigoríficos e distribuidores se adaptaram para atender à demanda de um consumidor mais exigente”, explica.
Mercado de carne suína
O volume de consumo per capita da carne suína no Brasil cresceu 33,4% nos últimos dez anos, chegando a 19,3 quilos, segundo a Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS).
O aumento é expressivo e diminuiu a distância do consumo dessa proteína para as demais – no mesmo período, o consumo per capita de carne bovina caiu 6,6% e, o de frango, 2,9%, para 29,7 quilos e 43,9 quilos, respectivamente. Para o consultor da ABCS Iuri Machado, os números são indicativos de que a carne suína tem potencial para crescer ainda mais.

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