A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres, afirmou nesta quarta-feira (29/10) que o Brasil não é um problema comercial para os Estados Unidos. Ela ressaltou que as negociações com os americanos miram a mitigação ou eliminação do “tratamento discriminatório” contra as exportações brasileiras.
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“O tratamento comercial dos EUA ao Brasil não se justifica, as tarifas adicionais não têm nenhum fundamento”, afirmou durante painel no Agro Horizonte, evento promovido pela Globo Rural e Corteva em Brasília.
A secretária ressaltou que os EUA têm déficit trilionário com o resto do mundo, mas superávit na relação com o Brasil. “Não que isso deva motivar a redução de tarifa, mas se é uma métrica importante para os EUA, o Brasil não é um problema comercial para os EUA”, completou.
Segundo ela, o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump é “positivo e promissor”. Agora, as equipes técnicas vão trabalhar por um “entendimento” bilateral. “Nos toca agora trabalhar em um entendimento com os americanos que mitiguem ou eliminem o tratamento discriminatório contra o Brasil”, disse.
A principal crítica é em relação à ordem executiva com tarifa adicional específica de 40% contra o Brasil, além dos 10% aplicados de forma geral aos países de todo o mundo. “Isso nos incomoda muito, porque não tem nenhuma motivação que possa sustentá-la”, completou a secretária.
Prazeres ressaltou que os EUA são um importante parceiro comercial do Brasil, pois é para onde o maior número de empresas brasileiras exporta. “É um comércio ganha-ganha, que queremos expandir e valorizar. Todo interesse do governo brasileiro é de encontrar uma resolução negociada com os EUA”, afirmou no evento.
A secretária também mencionou a preocupação do governo com a investigação aberta pelos EUA, com base na seção 301 da sua lei comercial, que mira seis setores brasileiros. “A investigação nos preocupa porque pode resultar em barreiras de diferentes tipos, a diferentes setores”, disse.
Segundo Prazeres, há uma preocupação com a crescente adoção de medidas comerciais justificadas com base na segurança nacional. “Essa parece ser a maior preocupação dos americanos”, disse. “Tudo está sobre a mesa. Nossa expectativa é de avançar para um entendimento, dar continuidade ao compromisso político assumido recentemente”, completou.

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