Com tarifaço, exportações da piscicultura caem 28% no terceiro trimestre

As exportações brasileiras da piscicultura registraram queda de 28% no terceiro trimestre, após a elevação das tarifas pelos Estados Unidos aos produtores brasileiros de 10% para 50%.

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De acordo com dados divulgados no novo informativo de comércio exterior da piscicultura, de julho a setembro, as exportações totalizaram US$ 13,3 milhões, o que representa queda de 28% em relação ao mesmo período de 2024. O documento é editado pela Embrapa Pesca e Aquicultura, com parceria da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR).

Em volume, o Brasil exportou 2,97 mil toneladas no período, queda de 26% em relação ao mesmo intervalo do ano passado. O terceiro trimestre foi o período de menores resultados no ano em valor e volume.

O tarifaço começou a vigorar em agosto, com efeitos no mesmo mês e em setembro. As exportações passaram de US$ 5,7 milhões em julho para US$ 3,9 milhões em agosto e US$ 3,7 milhões em setembro. Em volume, os embarques passaram de 1,39 mil toneladas em julho para 803 e 777 toneladas nos dois meses seguintes.

As exportações de tilápia totalizaram US$ 12,6 milhões no terceiro trimestre, uma redução de 30% frente ao mesmo período de 2024.

Os bagres foram a segunda espécie mais exportada no trimestre, com US$ 330 mil e crescimento de 240% em relação ao mesmo período de 2024. A maior parte destes bagres teve como destino o Vietnã.

Longo prazo

Mesmo com o tarifaço, os Estados Unidos continuam sendo o maior importador da piscicultura brasileira, respondendo por 87% das vendas do produto (US$ 11,5 milhões). Em relação ao terceiro trimestre de 2024, os embarques para o país recuaram 32%. Em volume, a queda foi de 29%, para 2,35 mil toneladas.

“Especialistas do setor esperavam uma queda maior, mas algumas empresas conseguiram manter parte das vendas por meio de negociações com importadores norte-americanos. No entanto, alguns exportadores afirmam não ser possível manter essas negociações no longo prazo”, afirmou Manoel Pedroza, pesquisador da Embrapa.

Na avaliação de Pedroza, caso o cenário atual continue, é provável que haja uma queda maior das exportações no quarto trimestre.

“Os exportadores têm tentado buscar novos mercados no exterior, mas isso leva tempo e é difícil encontrar outros países que absorvam o mesmo volume de tilápia que era exportado para os Estados Unidos – principalmente considerando que o mercado europeu continua fechado para as exportações de pescado do Brasil”, observou.

Outro destaque foram as importações de filé de tilápia do Vietnã, que somaram US$ 195 mil e 48 toneladas no terceiro trimestre. O preço do filé importado pelo país em setembro (R$ 16,70 por quilo) é bem inferior ao preço médio praticado no atacado no Brasil, atualmente em torno de R$ 31 o quilo. Segundo Pedroza, essas importações podem representar um risco para a cadeia de tilápia no Brasil.

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