Fávaro confirma que pleitos sobre tarifaço já foram encaminhados aos EUA

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou nessa segunda-feira (3/11) que as posições da área agrícola do governo brasileiro para a negociação com os Estados Unidos sobre o tarifaço já foram “encaminhadas”. Ele não revelou quais são as propostas nem os produtos que devem ser envolvidos nas conversas.

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Nos bastidores, fontes afirmam que uma maior abertura para o etanol americano será colocada na mesa, como já mostrou a reportagem. Do lado brasileiro, a prioridade é pela retirada da sobretaxa de 40% no café, na carne bovina e nos pescados.

“Gradativamente nós já tivemos sucesso com alguns produtos que foram retirados dessa sobretaxação e estamos em fase agora muito oportuna da negociação final“, disse Fávaro em coletiva de imprensa no Palácio do Itamaraty, após a abertura da Conferência dos Ministros da Agricultura das Américas.

Segundo ele, o governo brasileiro discutiu internamente a possibilidade de implementar a lei de reciprocidade, com medidas contra exportações dos EUA, mas que a opção foi pelo “diálogo”. “Estamos conseguindo superar o desafio”, disse. Fávaro lembrou ainda que a diversificação de mercados abertos e o portfólio de produtos da agropecuária exportados para o mundo inteiro permitiram que a “crise fosse muito menor”.

“Os Estados Unidos são muito importantes para a relação comercial com o Brasil, mas não são a única opção que temos”, completou o ministro.

Nessa segunda-feira, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, disse à imprensa na China que espera a retirada das tarifas sobre as exportações brasileiras de carne bovina aos EUA em até 60 dias.

Os EUA devem insistir em abertura maior para exportação de etanol para o Brasil, atualmente taxada em 18%. Sob críticas do setor produtivo nacional, negociadores em Brasília avaliam a possibilidade de melhores condições ao biocombustível americano para avançar nas tratativas pelo fim do tarifaço. Internamente no governo há quem defenda redução da alíquota cobrada sobre o etanol americano ou a criação de cotas, cenários já adotados em outros tempos.

Há ainda a possibilidade de criar exigências para a entrada do biocombustível, como a indicação de portos específicos. Essa medida aliviaria a situação do Nordeste, região mais afetada pelas importações.

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