Mercosul precisa melhorar relação de acordos comerciais com outros blocos, diz CNA

O vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Gedeão Pereira, disse que o Mercosul ainda tem uma atuação muito “tímida” em relação a acordos comerciais com outros blocos ou países. Segundo ele, isso ainda prejudica a competitividade do agronegócio sul-americano e, principalmente, brasileiro.

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“O Mercosul cresceu muito em importância nos últimos 30 anos, por conta do crescimento do Brasil e, mais recentemente, do Paraguai. Temos que resolver essas questões [da falta de acordos comerciais]. Alguns países da América do Sul, como o Chile, têm mais de 30 acordos“, afirmou a jornalistas após abertura do 1º Fórum Empresarial do Mercosul, realizado na sede da CNA, em Brasília.

Pereira disse que o Mercosul ainda “patina” na finalização do acordo com a União Europeia e tem outras conversas encaminhadas. “Mas estão muito tímidos. Pelo crescimento do agronegócio e do Brasil temos a necessidade de mais acordos e mais aberturas de mercados”, apontou.

Segundo ele, os acordos podem garantir competitividade dos produtos agropecuários em termos tarifários, principalmente em relação a outros países, como a Austrália, que estão mais próximos de centros consumidores, como a Ásia. A vantagem para o Brasil e vizinhos sul-americanos tem que ser construída com reduções tarifárias, disse Pereira, ante a distância maior de transporte dos produtos até lá.

Itamaraty diz que houve avanços

O embaixador Francisco Cannabrava, diretor do Departamento de Mercosul do Itamaraty, afirmou, no evento, que o bloco econômico sul-americano tem conseguido evoluir na assinatura de acordos comerciais. Segundo ele, além da finalização do tratado com a UE, prevista para dezembro, e dos desfechos com EFTA e Singapura, há negociações com Emirados Árabes Unidos e diálogos com Canadá, Panamá e República Dominicana.

“O Mercosul sempre foi criticado por ser um espartilho, por não permitir negociação de acordos internacionais (…). Quebramos esse tabu de que o bloco não tem capacidade de fechar acordos“, disse.

“Tem narrativas lá de fora que querem rotular o setor agrícola brasileiro como se não fosse sustentável, isso não é verdade. Há muito investimento para que a produtividade agrícola seja sustentável, então é nessa direção que queremos trabalhar, não só fazer a nossa agricultura sustentável, mas também mostrar para o resto do mundo que não corresponde à realidade essas narrativas de que nós estamos destruindo o nosso meio ambiente“, afirmou a jornalistas no evento.

O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, disse que os acordos comerciais para o agro são importantes para manter a competitividade em relação aos concorrentes internacionais. “Temos boas expectativas que o acordo com a UE possa ser concretizado este ano. Em relação ao Acordo Mercosul-Emirados Árabes Unidos, seria um primeiro acordo de maior magnitude naquela região, um país que é um hub no Oriente Médio, que tem suas características”, apontou.

Segundo ele, a tarifa média para os produtos do agro dos Emirados Árabes Unidos já é “razoavelmente baixa”, mas qualquer diminuição é importante que ter maior acesso. “Estamos discutindo uma série de instrumentos que incluem naturalmente cotas, essa redução tarifária, existe a figura dos ‘special goods’ que nós queremos de alguma forma ter um acesso melhorado e amplificado nesse acordo”, completou.

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