Aumento da produtividade é o caminho para conciliar desenvolvimento e preservação, diz CEO da JBS

“Ninguém vai ter paz no mundo se não tivermos alimento. Se queremos falar da fome, temos que falar de agricultura, assim como a pobreza”, disse o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, durante um painel sobre agropecuária regenerativa na COP30, em Belém. O executivo está nesta semana participando de painéis do Consórcio Interestadual Amazônia Legal.

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Para ele, a sustentabilidade precisa ser economicamente viável para que de fato aconteça no campo. “Sustentabilidade sem produtividade não existe. Essa transformação tem que se transformar em dinheiro. Se o produtor não ganhar, não vai adotar”, afirmou.

Na visão de Tomazoni, a agropecuária é parte essencial da solução climática e social, e o aumento da produtividade é o caminho para conciliar desenvolvimento e preservação ambiental. “68% dos adultos pobres trabalham na agricultura, então não tem jeito: temos que olhar as questões ambiental, de inclusão e de produção de alimentos. E fazemos isso aumentando a produtividade”, disse.

“Temos que produzir mais, com menos, e com menos emissões”.

Para o CEO, o desafio não está na falta de tecnologia, mas em como escalar o uso das soluções já disponíveis para acelerar o processo, medir resultados e garantir assistência técnica e financeira para que o produtor possa fazer a transição.

A JBS participa da COP30 sem um grande anúncio, mas Tomazoni está com presença ativa em painéis e debates sobre segurança alimentar, inclusão produtiva e mitigação de emissões. O executivo está também liderando o Grupo de Trabalho sobre Sistemas Alimentares Sustentáveis SB COP, iniciativa que reúne empresas e instituições independentes, e é liderada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A iniciativa levou à conferência 38 exemplos de práticas sustentáveis de diferentes culturas agrícolas. “Esta é a COP da execução. Já existe tecnologia, já existem práticas, e aqui é o melhor lugar para discutir como acelerá-las”, afirmou Tomazoni ao Valor.

Segundo ele, a JBS tem estruturado sua estratégia ambiental em duas verticais: rastreabilidade e apoio técnico aos produtores. “Há mais de 15 anos monitoramos todos os nossos fornecedores diretos. Agora criamos uma plataforma de blockchain que permite aos fornecedores verificarem a situação ambiental de quem lhes vende o gado”, disse. Além disso, a empresa mantém “escritórios verdes” que oferecem assistência técnica para regularização ambiental.

A companhia também apoia financeiramente pequenos produtores em projetos de transição sustentável, segundo ele. “Firmamos parceria com a Fundação Solidariedad e estamos apoiando 1,4 mil famílias com doação. A JBS aportou mais de R$ 31 milhões nesse projeto”.

Na semana anterior à conferência, a JBS firmou parceria com o governo do Pará e o Grupo Carrefour Brasil para comercializar carne bovina rastreada individualmente proveniente do Estado. O primeiro lote, de 12 toneladas, começou a ser vendido. O sistema utiliza brincos eletrônicos conectados ao Sistema de Rastreabilidade Bovídea Individual do Pará (SRBIPA), que permite acompanhar cada animal em todas as propriedades por onde passou, contribuindo para o controle de conformidade socioambiental.

Segundo o relatório de sustentabilidade da companhia, a JBS aproveita quase integralmente os resíduos de seus processos produtivos — 99% no caso dos bovinos e entre 95% e 96% em aves e suínos. A empresa também mantém metas públicas para atingir emissões líquidas zero até 2040, compromisso que tem sido alvo de questionamentos. Em outubro, a ONG Mighty Earth entrou com uma ação judicial contra a empresa nos Estados Unidos, acusando-a de fazer alegações “enganosas” sobre seus compromissos climáticos, segundo informações da Reuters.

As emissões ligadas ao desmatamento continuam sendo um tema sensível para o agronegócio. O governo discute o Plano Clima, que deve estabelecer metas de mitigação de carbono por setor, incluindo as emissões associadas ao desmatamento.

De acordo com o levantamento anual Radar Verde, obtido pelo Valor, a JBS mantém alto nível de controle sobre fornecedores diretos, mas ainda tem monitoramento limitado entre os indiretos — responsáveis pela cria e recria do gado. O estudo aponta que a empresa segue com o maior grau de exposição ao risco de desmatamento, por operar o maior número de plantas frigoríficas na Amazônia.

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