Os preços de soja e milho subiram na bolsa de Chicago, com investidores à espera de revisões para a safra dos Estados Unidos. Em relação à soja, os lotes com vencimento em janeiro subiram 1,17% nesta quinta-feira (13/11), para US$ 11,47 o bushel.
Após o fim da greve dos funcionários públicos nos EUA (conhecido como shutdown), o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgará amanhã seu relatório mensal de oferta e demanda mundial. Como no mês passado não houve a publicação do documento – devido à greve dos servidores americanos –, o mercado está na expectativa por cortes nas previsões de safra dos Estados Unidos.
Segundo a média de apostas de analistas ouvidos pelo “The Wall Street Journal”, o USDA deverá reduzir sua previsão para a safra de soja nos EUA 2025/26 para 114,31 milhões de toneladas. Em setembro, o departamento indicou a safra em 117,05 milhões de toneladas.
Para Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, as indicações de safra menor nos EUA, e ainda o fim do shutdown deram um tom otimista para os futuros da soja em Chicago, que podem subir ainda mais na bolsa, segundo ele.
“Esse valor de US$ 11,30 o bushel está muito em cima do custo do produtor [americano]. Então ele precisa que o preço suba mais, e podemos ver as cotações no patamar acima dos US$ 12, que garante margem para os agricultores”.
Por fim, ele acrescenta que um contraponto a esse movimento de alta para preços é a falta de notícias sobre a demanda chinesa por soja americana.
“A China ainda está agressiva nas compras do Brasil. Foram mais de 81 milhões de toneladas adquiridas neste ano, devido ao nosso preço competitivo. Se ela [a China] continuar com essa demanda intensa, o USDA terá que corrigir para cima suas estimativas para as importações chinesas”, pontua o analista.
Em sua previsão feita em setembro, o departamento americano estimou importações chinesas de 109 milhões de toneladas no ciclo 2025/26.
Milho
Os preços do milho tiveram impulso em Chicago em meio à expectativa com cortes na safra dos Estados Unidos. Os papéis para dezembro subiram 1,44%, a US$ 4,4150 o bushel.
Em seu relatório de oferta e demanda mundial, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) deverá reduzir para 419,12 milhões de toneladas a previsão de safra americana no ciclo 2025/26, segundo a média de analistas de mercado. O número, se confirmado, ficaria bem abaixo das 427,11 milhões previstas pelo USDA em setembro.
De acordo com Vlamir Brandalizze, o milho pode continuar com preços firmes, devido à demanda elevada por milho nos Estados Unidos, principalmente para a produção de etanol.
Trigo
O trigo fechou a sessão na bolsa de Chicago com preços em leve queda em meio às perspectivas favoráveis com a oferta no Hemisfério Sul. Os lotes do cereal para março de 2026 caíram 0,05%, com o valor de US$ 5,5225 o bushel.
O sentimento de uma boa oferta de trigo cresceu depois que a Bolsa de Cereales de Rosario (BCR) elevou para 24,5 milhões de toneladas sua previsão para a safra na Argentina no ciclo 2025/26. O volume, se confirmado, seria um recorde, e ainda um acréscimo de 6,5% em relação à colheita do ciclo passado.
O trigo também foi impactado por projeções favoráveis para os estoques americanos. Segundo a aposta de analistas de mercado, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos deverá elevar para 23,46 milhões de toneladas sua projeção para os estoques no país em 2025/26. Em setembro, a estimativa apontava 22,96 milhões.

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