A Systemica e a Conservação Internacional (CI-Brasil) formaram, durante a COP 30, uma parceria para fortalecer a cadeia de sementes e mudas nativas na Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu (TX), no sudoeste do Pará.
A iniciativa espera atender à crescente demanda, impulsionada pela meta paraense de restaurar 5,6 milhões de hectares, o que é quase metade do previsto no Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg). Além disso, tem como foco estruturar a cadeia de insumos florestais em uma das regiões mais pressionadas pelo desmatamento no Pará.
Com o envolvimento de diferentes atores e duração prevista de três anos, o projeto tem a expectativa de consolidar a base produtiva da restauração no território, gerando emprego e renda para as comunidades locais na região da primeira concessão florestal do Brasil voltada para a restauração, sob gestão da Systemica.
“A restauração está entre as principais Soluções Baseadas na Natureza (SBN), capazes de gerar enormes benefícios para o clima, a biodiversidade e as pessoas. Entretanto, para que essa atividade ganhe escala em direção a grandes metas como do Pará e se consolide como uma atividade economicamente sustentável, implementar projetos isolados não é suficiente. É preciso investir no fortalecimento de toda a cadeia de valor, incluindo sua base produtiva”, explica Ludmila Pugliese, diretora de Restauração de Paisagens e Florestas da CI-Brasil.
Segundo dados do MapBiomas, a cobertura florestal em São Félix do Xingu caiu de 7,6 milhões de hectares em 1985 para 5,7 milhões de hectares em 2024. O projeto prevê a consolidação de uma rede com comunidades, universidades, cooperativas, ONGs e órgãos ambientais. “Esse é um dos objetivos dessa parceria: equilibrar oferta e demanda de forma estratégica, sólida e capaz de destravar recursos essenciais para a restauração”, completa Ludmila.
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Dentre as ações previstas, estão o fortalecimento de estruturas locais de produção de mudas, a adoção de tecnologias que permitam ampliar a escala e reduzir o tempo de produção, e a capacitação de coletores e produtores.
Melhorias nos processos de armazenamento e no controle de qualidade das sementes, além de parcerias com instituições de ensino e pesquisa para o desenvolvimento de estudos aplicados e inovações que aprimorem as etapas de coleta, germinação e produção também estão previstas.
O trabalho de campo inclui pelo menos 35 coletores de sementes, 15 atuando dentro da APA, e apoio da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas) e do Ideflor-Bio. A The Nature Conservancy (TNC) complementa a rede com ações voltadas ao fomento da bioeconomia local, produção de bioinsumos e apoio à regularização ambiental das propriedades envolvidas.
O anúncio da parceria foi realizado após o painel “Rumo aos 5,6 milhões de hectares: arranjos territoriais e parcerias para fortalecer a economia da restauração no Pará”, realizado no pavilhão do Governo do Pará, na Zona Verde da COP30.
(sob orientação de Raphael Salomão)

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