O Passaporte Verde, aprovado nesta quarta-feira (19/11) pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), nasce como um marco para a pecuária brasileira. Mais do que um sistema de monitoramento, ele demonstra o protagonismo de Mato Grosso no comércio sustentável global: unir em um programa reinserção inclusiva, monitoramento, rastreabilidade, apoio a conformidade ambiental e dando visibilidade a nosso modelo produtivo de baixas emissões.
Um programa concebido por parcerias que o Instituto Mato-grossense da Carne (IMAC) formalizou de forma inédita com os setores públicos e privados, e com instituições como a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) e a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato). E que pretende garantir — do nascimento do bezerro ao abate — uma carne que respeita a legislação brasileira e que garanta segurança alimentar, segurança climática e ainda comprometida com a transparência que o mercado global exige.
Esse avanço não é apenas uma vitória comercial: é uma nova forma de valor. Mercados internacionais de alto padrão já reconhecem e pagam mais por produtos sustentáveis. O Mato Grosso, que em 2024 exportou quase 760 mil toneladas de carne bovina e movimentou cerca de US$ 3 bilhões, tem diante de si a chance de transformar volume em prestígio — e prestígio em vanguarda climática. Quando a sustentabilidade é comprovada, a carne brasileira deixa de ser apenas a mais abundante: torna-se também a mais consciente.
Diante da comunidade global que se reuniu na COP30, o Passaporte Verde se apresenta como muito mais do que marketing. É um instrumento de credibilidade internacional, uma forma de provar que a produção pecuária brasileira cumpre o Código Florestal e atende aos critérios ambientais exigidos por governos, compradores e consumidores.
Com a implementação faseada e inclusiva de um sistema de rastreabilidade, cada animal passará a carregar uma história verificável de uso responsável do solo, manejo sustentável e conformidade socioambiental.
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Mas o impacto vai além do controle e da rastreabilidade. O Passaporte Verde incentiva práticas que reduzem emissões por arroba, por meio de melhoramento genético, manejo intensivo sustentável e alimentação estratégica.
São mudanças que diminuem a pegada de carbono da pecuária e aproximam o Brasil das metas globais de descarbonização. Em outras palavras, a inovação agropecuária se torna aliada direta da luta contra o aquecimento global.
Práticas regenerativas e sistemas integrados — lavoura, pecuária e floresta em harmonia — completam esse círculo virtuoso. Recuperar pastagens, fixar carbono no solo e restaurar áreas degradadas não é apenas um compromisso ambiental: é um novo modo de produzir.
A natureza deixa de ser um limite e volta a ser uma parceira de produtividade. Assim, o Passaporte Verde não apenas valida o que o Brasil já faz bem — ele eleva esse fazer à categoria de exemplo global.
No campo das finanças sustentáveis, a combinação entre rastreabilidade e agropecuária regenerativa abre portas para agregação de valor a carne de Mato Grosso, acesso a créditos de carbono e novos modelos de remuneração por serviços ambientais.
Cada hectare restaurado, cada tonelada de carbono fixada no solo pode se converter em ativo econômico, em receita adicional para quem escolhe o caminho da responsabilidade. O que antes era custo ambiental torna- se, finalmente, valor de mercado.
Os desafios, é claro, existem. É preciso integrar dados, padronizar critérios, reduzir custos e implementar o monitoramento. Mas Mato Grosso e o Brasil tem tudo para superá-las: ciência tropical, produtores conscientes e uma sociedade que começa a enxergar que o verde também é cor da prosperidade.
O Passaporte Verde é, portanto, mais do que uma política pública: é a expressão de um novo tempo. Um tempo em que o Brasil pode afirmar, com orgulho, que produz alimento para o mundo, com respeito ao produtor e a biodiversidade, sem abrir mão de suas florestas e dos seus solos férteis, sob um céu de brigadeiro.
Na era da transição ecológica, o país que souber unir produtividade, inclusão social e natureza não apenas exportará carne — exportará o futuro com credibilidade de quem não fala, mas faz!
*Caio Penido é presidente do Instituto Mato-grossense da Carne (IMAC) e sócio-fundador da Agro Penido
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