A Iniciativa Agro, empresa de inteligência de risco para o agronegócio, colocou em operação uma plataforma desenvolvida para viabilizar crédito mais barato para pequenos e médios produtores. Para criar o Sistema Integrado de Originação (SIO), a empresa desembolsou R$ 5 milhões em 2025, e anunciou mais R$ 8 milhões para aumentar a atuação da novidade em 2026.
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De acordo Marcelo Trapé, CEO da empresa, sua companhia não é uma fintech de crédito, mas sim quem faz a ponte do produtor com o mercado de capitais. “Uma análise ajustada possibilita acesso a uma linha de crédito mais aderente à realidade do produtor e permite ao mercado de capitais buscar agricultores que se adequem a linhas mais eficientes”, resume o executivo.
O ‘SIO’ quer atender produtores com necessidade anual de crédito entre R$ 2 milhões e R$ 10 milhões por safra. Segundo a companhia, nessa faixa de demanda por financiamento, o agricultor tem margens mais apertadas, e o modelo pode economizar na largada até 15% em comparação ao barter e as tradicionais ferramentas de concessão de crédito.
Ao invés de enquadrar os produtores em modelos padronizados para conceder crédito, o Sistema Integrado de Originação interpreta os dados da “porteira para dentro”, explica Trapé. São analisados insumos utilizados, perfil tecnológico, práticas agronômicas, produtividade e outras características para fazer uma análise de risco ajustada à realidade de cada propriedade.
Atualmente, o sistema opera em 150 mil hectares com a meta de totalizar 400 mil hectares em 2026 e 1 milhão de hectares em 2027. De acordo com o CEO, café, soja e milho são as principais áreas de atuação da Iniciativa Agro, que pretende chegar adentrar a pecuária também em 2027.
Segundo Bruno Youssif, diretor de finanças sustentáveis da empresa, o sistema atua em um gap do Plano Safra, que cobre em torno de 30% a 35% das necessidades de financiamento do setor. “Isso deixa a maior parte da demanda sujeita a operações mais caras e pouco transparentes”, explica.
Youssif enxerga que o agro continuará se desenvolvendo para o lado do mercado de capitais. “30% da necessidade do agro é financiada por bancos, os outros 70% vêm do mercado de capitais. Então, estamos falando de Fiagro [Fundos de Investimentos nas Cadeias Produtivas Agroindustriais], CRA [Certificado de Recebíveis do Agronegócio] e outras estruturas”, finaliza.

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