A cientista brasileira Mariangela Hungria afirmou nesta segunda-feira (24/11), em São Paulo, que há centenas de insumos biológicos desenvolvidos para diversas cadeias produtivas, mas chegam ao mercado apenas as voltadas para as culturas de soja e milho. Ela fez a declaração participar da cerimônia de entrega do Prêmio Melhores do Agronegócio, da Globo Rural.
Mariângela disse que os insumos biológicos representam atualmente cerca de 12% do mercado nacional. Mas, com investimentos voltados para outras culturas, esse percentual poderia chegar a 50% ou 60%.
Ela destacou que o principal obstáculo para ampliar o uso de insumos biológicos é a necessidade de parcerias com empresas para disponibilizar essas tecnologias comercialmente. Ela observou que não há soluções registradas para setores como a horticultura, por exemplo.
A pesquisadora também mencionou que a Embrapa desenvolveu tecnologias com microrganismos para recuperação de pastagens degradadas. De acordo com ela, esses materiais podem elevar a produção de biomassa em aproximadamente 20% e melhorar a qualidade das áreas recuperadas, permitindo maior capacidade de lotação de gado.
“Temos dificuldades com parceiros de bioinsumos voltados para a área de pastagem, porque o mercado ainda é muito voltado para grãos, então esse é o maior gargalo”, disse.
Durante o evento, a pesquisadora recebeu uma homenagem por sua atuação em pesquisas relacionadas à agricultura sustentável. Hungria, que integra a equipe da Embrapa Soja, foi a primeira mulher brasileira a receber o Prêmio Mundial de Alimentação (WFP) por seu trabalho com insumos biológicos, em maio.
Ela também apontou dificuldades práticas para a expansão do mercado, como o tamanho das embalagens disponíveis, que considera inadequado para pequenos produtores. Hungria destacou que 73% dos sojicultores pertencem a essa categoria e informou que a Embrapa busca firmar parcerias com cooperativas para ampliar o uso de bioinsumos.
Participante da COP30, encerrada no último fim de semana, Hungria mencionou o espaço da Agrizone e da Embrapa que apresentava sistemas produtivos que vão da agricultura familiar às grandes propriedades, incluindo culturas como soja, milho, trigo e sorgo em sistemas de baixa emissão de carbono. Ela também ressaltou a importância do banco de germoplasmas da Embrapa e o “banco de germoplasma humano”, com o trabalho dos pesquisadores.
Vencedora do World Food Prize de 2025, considerado o Nobel da Agricultura, Mariângela Hungria recebeu uma homenagem da Globo Rural, em reconhecimento ao seu trabalho de pesquisa e sua relevância para a agricultura brasileira.

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