No fim de outubro, às vésperas da Melbourne Cup, considerada a corrida mais tradicional e acompanhada da Austrália, um relatório da organização de defesa animal Coalition for the Protection of Racehorses (CPR) apontou que pelo menos 174 cavalos puro-sangue morreram nos últimos 12 meses em decorrência de acidentes em competições ou de lesões sofridas durante treinamentos. É o maior número registrado desde que o monitoramento começou, há uma década.
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Divulgado pelo The Guardian, o levantamento reúne dados de relatórios oficiais, registros da imprensa e denúncias de bastidores. A Coalition for the Protection of Racehorses (CPR) afirma ter verificado cada caso com autoridades do turfe, treinadores ou proprietários.
A maioria das mortes está associada a lesões nos membros anteriores. A organização ressalta, porém, que o número real pode ser maior, já que óbitos ocorridos durante treinos ou em estábulos muitas vezes não aparecem em registros públicos.
Os protocolos de segurança usados hoje foram criados em 2021, após sete mortes na Melbourne Cup entre 2013 e 2020. A edição mais recente da prova, uma corrida de 3.200 metros, ocorreu em 4 de novembro no Hipódromo de Flemington, em Melbourne. Por ser o principal evento do turfe australiano, a corrida mobiliza atenção nacional e internacional.
Com as regras adotadas nos últimos anos, cavalos internacionais precisam realizar tomografias computadorizadas (CT) de todos os membros antes de viajar para a Austrália e novamente antes de competir.
De acordo com o relatório, esses exames ajudam a identificar microfraturas e sinais de sobrecarga que podem evoluir para lesões graves. Além disso, cada animal passa por uma série de inspeções veterinárias que começa no país de origem e segue até os dias que antecedem a corrida.
A partir deste ano, avaliações suspeitas podem ser complementadas com PET scan, tecnologia instalada após um investimento do governo. Segundo a Racing Victoria, desde a adoção desses protocolos não houve mortes por lesões catastróficas durante o Spring Racing Carnival.
Apesar dos avanços, a CPR avalia que ainda falta padronização. Enquanto grandes eventos adotam protocolos rígidos, corridas menores operam com critérios mais brandos. A organização defende que exames como CT e PET se tornem obrigatórios em todas as pistas e categorias, o que permitiria identificar alterações precoces e reduzir o risco de fraturas fatais.

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