O trigo ocupa um lugar singular na história da agricultura mundial. Presente há mais de 10 mil anos na alimentação humana, tornou-se um dos pilares da segurança alimentar global e um dos produtos agrícolas mais estratégicos em termos de comércio e soberania nacional.
No Brasil, apesar de historicamente associarmos o trigo a regiões frias e a uma dependência estrutural de importações, o cenário está mudando e de forma acelerada.
Nos últimos anos, a cultura ganhou novas áreas, tecnologia e relevância econômica. O aumento da produtividade, impulsionado por genética, manejo e sistemas de produção mais eficientes, abriu uma janela concreta para o país reduzir a dependência externa, agregar valor e consolidar novas fronteiras agrícolas, especialmente no Cerrado.
É um avanço que coloca o Brasil em um novo patamar: o de país capaz de produzir trigo de qualidade, em volume crescente e com competitividade internacional.
Entretanto, para que essa oportunidade se torne sustentável no longo prazo, é preciso enfrentar desafios conhecidos, como pressão de doenças, custos de insumos, instabilidade climática e a necessidade de produzir mais com menor impacto ambiental. É justamente nesse contexto que o uso de bioinsumos ganha protagonismo.
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Os bioinsumos oferecem ao trigo uma combinação rara: eficiência agronômica, previsibilidade produtiva e sustentabilidade. Ao melhorar a saúde do solo, aumentar a disponibilidade de nutrientes e atuar no controle biológico de pragas e patógenos, eles reduzem custos, minimizam perdas e ampliam o potencial produtivo da lavoura.
São soluções que dialogam diretamente com as demandas atuais do campo: resiliência climática, redução de riscos e modelos produtivos mais limpos.
O produtor brasileiro já percebeu esse movimento. A adoção dessas substâncias na cultura do trigo cresce ano após ano, refletindo não apenas ganhos técnicos, mas uma mudança de mentalidade. O que antes era visto como alternativa, hoje é parte fundamental do planejamento de safra e tende a se consolidar como vantagem competitiva frente a outros países produtores.
O trigo representa uma grande oportunidade para o agro brasileiro. Temos clima, tecnologia, produtores capacitados e uma demanda interna consistente. O que definirá nossa posição no futuro será a capacidade de produzir com qualidade, regularidade e responsabilidade ambiental. Nesse caminho, esses produtos não são apenas uma tendência; são um vetor concreto de transformação.
A agenda global da agricultura aponta para sistemas mais sustentáveis, eficientes e regenerativos. O Brasil tem a chance de liderar esse movimento e o trigo pode ser uma das culturas que melhor simbolizam esse avanço. Apostar em bioinsumos é apostar em produtividade, rentabilidade e no futuro do trigo brasileiro.
*Fellipe Parreira é gerente de Portfólio e Acesso no Grupo GIROAgro
As ideias e opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva de seu autor e não representam, necessariamente, o posicionamento editorial da Globo Rural

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