Gaúcho monta academia na roça com peças improvisadas e coleciona medalhas

Quem disse que para ficar forte é preciso frequentar uma academia moderna e cheia de equipamentos? Em Ciríaco, no interior do Rio Grande do Sul, Anilto José Natt mostra exatamente o contrário. O agricultor de 28 anos treina com objetos antigos da propriedade rural em um espaço improvisado entre uma colheita e outra de fumo e milho e já conquistou medalhas em competições de artes marciais.

A ideia da academia na roça surgiu em 2016, quando precisava se deslocar para cidades vizinhas, como Passo Fundo (RS) e Tapejara (RS), e realizar treinamentos de kickboxing e muay thai.

“Aqui não tinha nada disso, nada que eu pudesse fazer os exercícios de musculação, e eu precisava ganhar um pouco mais de força para as provas que queria participar. Então, com a ajuda do meu pai, fomos criando esse espaço. Agora já tem academia no município, mas continuo aqui, porque vejo que dá resultado”, conta à Globo Rural.

O primeiro equipamento desenvolvido pela dupla foi uma barra de ferro com pesos de madeira. Depois, surgiram outros a partir de eixos de carroças antigas utilizadas no manejo do gado, pedras, tachos de leite, baldes, guidões de bicicletas, peças de colheitadeiras e até latas de mantimento. O mais pesado tem 200 quilos e foi elaborado pensando em provas de levantamento de peso no futuro.

“Foi tudo bem planejado. O meu pai era carpinteiro e achou vídeos na internet de como seria para montar, adicionar o concreto e fazer os pesos. Deu tudo certo. Eu consigo exercitar bem os braços, peito, pernas e também tenho um saco de pancadas que utilizo para a parte da arte marcial que tem socos e chutes”.

A rotina de treinos no interior é dividida entre os afazeres no campo, com o plantio de milho, fumo e alimentos para o consumo da família, e o manejo com porcos, cabritos, ovelhas, galinhas, perus, patos e garnizés. Na segunda-feira, por exemplo, ele prioriza exercícios para o braço, enquanto na quarta, o foco é o peito.

Apesar do espaço ser simples e pequeno, Anilto consegue realizar 70% da preparação para as competições de muay thai na academia improvisada. Para o restante, ele conta com o auxílio do amigo e professor Tiago Araújo, que o orienta no CT Firehorse, em Tapejara (RS), a 50 quilômetros de Ciríaco.

“Eu sempre digo que se a pessoa quiser treinar, ela consegue. Pode fazer flexão, levantar uma barra, fazer abdominal… Eu estava com 112 quilos quando parei de treinar, mas agora estou com 99 e quero chegar aos 95 para competir de novo. A minha maior inspiração para isso são os filmes que eu assistia quando criança do Rocky Balboa. É a história de um cara que tinha o sonho de ser campeão e nunca desistiu. Ele foi, foi e foi até que um dia deu certo”.

Anilto não conseguiu apenas reduzir o peso corporal e aumentar a força muscular com os treinos na roça. O terceiro lugar no Campeonato Brasileiro de Muay Thai e o vice na Copa Gaúcha da mesma modalidade o orgulham muito.

“Eu já pensei em ir morar na cidade, mas acho que não iria me acostumar lá. A gente corta um pasto para os bichos, dá comida para os porquinhos que são mansinhos, planta milho para tratar eles, está sempre cortando uma lenha… Se fosse na cidade, não teria como fazer nada disso. Então, eu treino aqui e sou muito feliz”, finaliza.

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