Lideranças falam sobre desafios e oportunidades do setor durante o 'Vozes do Agro'

Lideranças do agronegócio goiano ressaltaram a necessidade de debater os desafios do setor e buscar soluções para o futuro da produção agropecuária no Estado e no país. Durante a abertura do evento “Vozes do Agro”, realizado pela Globo Rural em Goiânia, empresários e executivos de entidades ressaltaram algumas travas que limitam o crescimento do campo em Goiás e a esperança de encontrar saídas com diálogo, ideias e políticas públicas.

José Mário Schreiner, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), ressaltou que o Brasil tem a missão de garantir a segurança alimentar do planeta nos próximos anos e que os agricultores goianos e brasileiros terão que dar a principal contribuição para atender a demanda adicional de 60% por comida até 2050.

“Nossa responsabilidade é muito grande perante a população mundial, somos responsáveis pela segurança alimentar do mundo”, disse.

Ele ressaltou a necessidade de levar em conta a realidade das mudanças climáticas. “O mundo vai perder áreas agricultáveis, de 16% a 20%, além de outros fatores. É um momento importante de trazer à tona as discussões de política agrícola, questões ambientais, para identificar regiões de possível desenvolvimento” afirmou. “Todo o Estado tem um potencial enorme e uma característica importante é que temos muita agregação de valor”

O presidente da Associação dos Produtores de Soja, Milho e Outros Grãos Agrícolas de Goiás (Aprosoja-GO), afirmou que o Estado transformou a realidade do coração do Brasil com avanço acelerado da produtividade agropecuária nos últimos 40 anos. Segundo ele, Goiás tem muito a mostrar no campo e na indústria de transformação. “Temos competência e capacidade produtiva, isso vem do produtor rural, ele nasceu para fazer isso. Goiás em muito a mostrar para o Brasil”, disse na abertura do evento nesta terça-feira (2/12).

Para Luiz Alberto Pereira, presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras em Goiás (OCB-GO), temas como clima, infraestrutura, crédito rural, endividamento são pontos-chave nos debates atuais. “As cooperativas representam milhares de produtores, através delas temos ampliação da voz do produtor, mas pelo menos os problemas serão ouvidos, vamos reverberar as vozes e, quem sabe, os caminhos sejam abertos”, destacou.

Gilberto Marques Neto, presidente da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA), ressaltou que os pecuaristas passam por um momento desafiador com o ciclo pecuário, com recorde de abate de fêmeas. Ao mesmo tempo, com a adoção de tecnologia e aumento de produtividade, ele disse que é possível atender a demanda por proteína animal do Brasil e do mundo.

O ponto de atenção, para os pecuaristas, é a necessidade de maior valorização da carne, disse. “O Brasil está preparado para enfrentar grandes mercados do mundo, da porteira para dentro somos excelentes, precisamos de apoio para fazer acontecer para fora”, disse na abertura do evento em Goiânia. “Os principais países que exportam carne bovina do mundo, Austrália, Argentina, Estados Unidos e Brasil estão no pico de descarte de fêmeas. Já prevemos esse cenário. Com recorde de produção, tecnologia, tem uma oportunidade surgindo em que faltará proteína animal em todo mundo, Brasil está pronto agora”, apontou.

“Temos grande oportunidade para atender à demanda e com preço competitivo. Estamos em momento para discutir, buscar alternativas para conseguir fazer com que o setor passe a ser reconhecido como a carne da Argentina e do Uruguai, agregando valor, para finalmente sermos remunerados adequadamente”.

O secretário de Agricultura de Goiás, Pedro Leonardo Rezende, afirmou que o agronegócio tem sido o principal setor responsável pelos resultados econômicos do Estado. “Um dos desafios é a comunicação, fazer com que as informações possam chegar com qualidade aos produtores rurais”, disse no evento. Ele também citou a necessidade de investimentos em logística, que impactam diretamente nos resultados da atividade. Rezende ainda destacou a criação do Batalhão Rural pelo governo de Goiás, medida que melhorou, segundo ele, a segurança no campo. “Proporcionou condições necessárias ao desenvolvimento com segurança desse setor”, completou.

O editor-executivo da Globo Rural, Cassiano Ribeiro, ressaltou que o “Vozes do Agro” é um evento diferente de todos, que estimula o debate dos problemas do setor entre CEOs de empresas do agronegócio, produtores, cooperativas e governo. “Queremos trazer a evolução dessa pauta que será discutida hoje no ano que vem”, apontou.

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