O segmento de biológicos é o que mais cresce dentro da Syngenta — em patamares de dois dígitos — desde que a multinacional de defensivos e sementes passou a investir na área, em 2020, com a aquisição da italiana Valagro.
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Para sustentar essa expansão, entre 10% e 15% do orçamento global de pesquisa é destinado ao desenvolvimento de biológicos — e esse percentual deve aumentar ano a ano, afirma Emilhano Lima, brasileiro que assumiu em setembro o cargo de líder global de Tratamento de Sementes e Biológicos da multinacional.
Em sua primeira entrevista no posto, o executivo com 27 anos de Syngenta afirma que o Brasil desempenha papel central na expansão do portfólio de biológicos da empresa. O país puxa a estratégia global da companhia no segmento, devido à velocidade de expansão do mercado e à adoção acelerada pelos agricultores, diz ele.
Segundo Lima, o mercado brasileiro de biológicos cresce quatro vezes mais que a média global e, em biocontrole, a taxa de adoção chegou a 60% dos agricultores na safra 2024, enquanto na Europa a adesão está entre 25% e 30%.
Hoje, cerca de 30% de todo o portfólio de biológicos da Syngenta é destinado ao Brasil, participação que também tende a aumentar, diz o executivo, acrescentando que os biológicos não são uma solução isolada, mas devem ocupar uma posição integrada dentro dos sistemas de manejo.
“Acreditamos que o Brasil é o país que mais vai crescer em termos de adoção. Há certas características aqui que não temos em outros lugares. A primeira é a questão climática, do desafio do agricultor brasileiro. A segunda é o empreendedorismo. E a terceira é o investimento que estamos fazendo no Brasil também para adaptar para as questões locais”, elenca.
Em 2024, a empresa investiu R$ 65 milhões no Centro de Tecnologia e Engenharia de Produtos em Paulínia (SP), parte dele destinado ao desenvolvimento de biológicos voltados às necessidades locais.
“Sem dúvida nenhuma, o Brasil é o principal [mercado]”, afirma. Europa, México, China e Estados Unidos também estão entre as prioridades. O direcionamento dos aportes varia conforme a geografia: enquanto o Brasil impulsiona a demanda por soluções para grandes culturas, mercados europeus mantêm relevância sobretudo em especialidades.
O segmento conduzido por Lima está atualmente sob a divisão de Crop Care, área que poderá ser separada da divisão de sementes, conforme anunciou a Syngenta.
Dentro da estratégia de continuar avançando no segmento no Brasil, a empresa anuncia nesta quarta-feira (3) parceria com a americana Provivi para a distribuição exclusiva no país de um biológico baseado em feromônios voltado ao controle da lagarta-do-cartucho, praga que afeta as culturas de milho, soja e algodão.
Segundo a companhia, sem controle adequado, a praga pode provocar perdas de 40% a 60% nas lavouras, e o prejuízo estimado ao ano no Brasil é de R$ 10 bilhões.
A tecnologia, já usada em frutas e hortaliças na Europa, foi adaptada pela Provivi para grandes culturas como soja, milho e algodão. O produto combina três feromônios encapsulados, liberados de forma lenta e contínua, e tem como objetivo interromper o acasalamento do inseto, explica Lima. “Como Romeu e Julieta, eles não conseguem se encontrar”, brinca o executivo.
O dossiê regulatório foi submetido às autoridades brasileiras no início do ano, e a expectativa é obter o registro do biológico entre o fim de 2026 e o início de 2027.
A empresa não divulga o faturamento no Brasil, mas a receita global no acumulado até o terceiro trimestre somou US$ 20,9 bilhões.

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