Instituto Arandu mira modelos de baixo carbono no agro

Com foco em acelerar a transição para modelos agropecuários sustentáveis, o Instituto Arandu, criado há pouco mais de um ano com o apoio do Fundo Vale e lançado oficialmente em novembro deste ano, tem como meta avançar em quatro eixos de atuação: inclusão de produtores familiares e extrativistas, metodologias de carbono, inovação a partir do uso da terra e criação de instrumentos financeiros sustentáveis. O instituto já levantou R$ 120 milhões em recursos, montante que está em fase final de contratação, com a maior parte já investida.

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A organização foi criada pelos fundadores do Grupo Caaporã, que produz proteína animal em sistemas integrados de pecuária e floresta, no modelo silvipastoril. A empresa trabalha com a revitalização de pastagens degradadas, em que gado bovino e árvores coexistem para aumentar a captura de carbono e reduzir emissões.

Fundador do instituto e presidente do Grupo Caaporã, Luis Fernando Laranja afirma que estruturou a fundação ao perceber, na relação com pequenos e médios produtores, gargalos que exigiam soluções além do setor privado. Em especial, a regularização por problemas ambientais, fundiários ou trabalhistas. O grupo opera seis fazendas em Mato Grosso, Tocantins e Bahia, que somam 18.800 hectares.

“A empresa poderia simplesmente não comprar desses fornecedores, mas isso gera exclusão”, afirma. A partir daí, foi criado o primeiro projeto do instituto: inclusão produtiva por meio de assistência técnica, financiamento e garantia de compra por preço justo. O piloto ocorreu em 2024 em Tocantins, na Amazônia Legal, onde a equipe conhece os fornecedores: “Começamos por quem estava mais apto, facilitando a construção de modelos replicáveis.”

Outras frentes surgiram para acelerar práticas de baixa emissão na pecuária. O instituto estruturou um hub de inovação (uma “Venture Philanthropy Facility”) que funcionará como aceleradora para tecnologias e soluções de pecuária regenerativa. O plano inclui mapear o cenário, lançar editais, apoiar startups e pesquisadores com recursos filantrópicos e entregá-los “mais amadurecidos”.

No núcleo de metodologias, o instituto desenvolveu uma ferramenta de crédito de carbono a partir da pecuária, que está em aprovação final na Verra, principal certificadora de carbono do mundo. “Chegou uma hora em que o instituto tomou um corpo maior do que imaginávamos”, diz Laranja.

O diretor do Fundo Vale, Gustavo Luz, afirma que o apoio ao instituto surgiu da meta da Vale de recuperar e proteger 500 mil hectares de floresta até 2030. Desde 2020, a Vale atua com o Grupo Caaporã, com o qual já recuperou 7 mil hectares. Além da pecuária regenerativa, o Fundo Vale apoia agroflorestas e iniciativas de florestas plantadas e nativas.

“A estratégia vai além de só plantar árvores. A intenção é ampliar impacto e estimular um ecossistema nacional de soluções climáticas, em que cada real investido ajude a multiplicar benefícios ambientais, sociais e econômicos”, diz o diretor do Fundo Vale.

Para a diretora-executiva do Instituto Arandu, Mariama Vendramini, a fundação dialoga de forma direta com a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês) brasileira. “A NDC do Brasil prevê recuperação de pastagens degradadas, reflorestamento e conservação, e os sistemas silvipastoris são centrais para o acúmulo de carbono no solo. Regenerar pastagens é uma das formas mais relevantes de contribuir para as metas nacionais”, diz.

Laranja completa que a mudança aumenta a produtividade, o que reduz a pegada de carbono da carne. “Além disso, o modelo adiciona duas camadas de mitigação: sequestro de carbono em árvores nos sistemas silvipastoris e sequestro de carbono no solo com o aumento da matéria orgânica. Combinados ao desmatamento zero, esses fatores fazem da pecuária regenerativa um dos maiores vetores de redução de emissões no Brasil.”

Na COP30, o governo brasileiro lançou oficialmente a iniciativa batizada de Raiz, que busca acelerar a mobilização de recursos financeiros e reunir investidores para restaurar terras degradadas ao redor do mundo. Nove países já anunciaram apoio: Alemanha, Arábia Saudita, Austrália, Canadá, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Peru e Reino Unido.

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