Com margens elevadas, bioinsumos ganham peso na estratégia da Mosaic

Os bioinsumos para nutrição vegetal, cujo consumo avança no país, ainda representam uma parcela reduzida da receita de cerca de R$ 6 bilhões da Mosaic Brasil no mercado brasileiro. Mas vêm ganhando peso estratégico na empresa em razão das margens mais elevadas.

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Enquanto os fertilizantes tradicionais registram margem entre 3% e 4%, os biológicos alcançam cerca de 30%, afirmou ao Valor, Alexandre Alves, diretor do segmento. Assim, a Mosaic planeja destinar 6% dos investimentos de pesquisa e desenvolvimento em bionutrição no ano que vem.

Em 2024, primeiro ano de vendas de produtos da categoria, a empresa alcançou aplicação em mais de 1 milhão de hectares e deve encerrar este ano superando 10 milhões de hectares, disse Alves.

O volume comercializado deve seguir a mesma trajetória, passando de 150 mil litros em 2024 para 1,5 milhão de litros neste ano. Cerca de 80% do volume corresponde a bioinsumos para grandes culturas, mas a receita é dividida entre produtos commoditizados e soluções de especialidades, segundo o executivo.

As metas de 2025 já foram cumpridas, acrescentou. E, para 2026, a estratégia será intensificar a geração de demanda no campo.

A produção de biológicos da gigante de fertilizantes permanece concentrada no exterior, principalmente em unidades na Flórida e na Espanha. A empresa não tem planos de instalar fábrica no Brasil no curto prazo e as parcerias com fabricantes nacionais seguem como eixo central da operação.

A companhia atua em inoculantes, condicionadores de solo, biofertilizantes e bioestimulantes, integrando essas tecnologias ao portfólio mineral. Com os bioinsumos, o objetivo é aumentar a eficiência dos fertilizantes. A Mosaic planeja também avançar na criação de produtos híbridos que combinem grânulos minerais e micro-organismos.

Os investimentos da empresa em bioinsumos começaram com a aquisição da norte-americana Plant Response, há quatro anos, o que permitiu estruturar um pipeline de novos produtos e expandir a oferta para China, Índia e Brasil.

Segundo a Mosaic, o Brasil lidera a adoção de bioinsumos, com mais de 60% dos agricultores usando esse tipo de solução, enquanto nos EUA, a taxa é de 20% a 25%.

Otimização em pesquisas

A empresa afirma que a otimização dos fertilizantes é central para o produtor, já que cerca de 40% do custo por hectare está ligado a esses insumos. Segundo Alves, uma redução de 10% desse gasto por meio do uso de biológicos poderia elevar o retorno sem perda de produtividade. “A gente vê que é preciso otimizar cada grão de fertilizante. As matérias-primas, as jazidas vão ficando cada vez mais escassas e, para o futuro, é preciso ter alternativas”.

Uma das pesquisas, segundo ele, busca descobrir como adicionar o próprio micro-organismo ao fertilizante mineral para otimizar esse adubo já existente.

Apesar do cenário de juros altos e margens apertadas, a venda de bioinsumos tem sido pouco afetada, de acordo com o executivo, por se tratarem de produtos complementares que ajudam a aproveitar nutrientes já presentes no solo. Já as linhas de foliares tendem a ser mais sensíveis, por serem adquiridas no período próximo à safra e dependerem mais de crédito.

Dentro de sua estratégia de avançar nos bioinsumos, a Mosaic investiu mais de R$ 1 milhão em um novo laboratório de biológicos em Uberaba (MG), que deve ser inaugurado em fevereiro de 2026. As obras começaram em julho, e a unidade ficará ao lado do laboratório de fertilizantes já existente, permitindo integrar análises químicas, físicas e biológicas.

Um dos equipamentos permitirá avaliar mais de 10 mil parâmetros em um fertilizante, analisando características como pH, salinidade e viabilidade dos micro-organismos aplicados ao grânulo.

Segundo a empresa, esse tipo de análise não era comum no setor, já que os fertilizantes minerais não exigem avaliação de organismos vivos como os biológicos. A expectativa da Mosaic é de realizar entre 500 e 1.000 análises por ano.

A A ferramenta foi desenvolvida pela startup mineira Tbit que, originalmente, vendia os equipamentos para análises de sementes, folhas, mudas, nematoides e outros. Esse é o primeiro equipamento comercializado pela startup voltado à análise de fertilizantes biológicos granulados.

De acordo com Igor Chalfoun, CEO da Tbit, a plataforma utiliza IA para avaliar parâmetros como cor, forma, geometria e textura, criando modelos baseados em bancos de dados de imagens. Cada objeto pode ter cerca de 500 descritores analisados, em processos que duram de um a dois minutos.

“As potencialidades que estão sendo analisadas são praticamente infinitas, há inúmeras possibilidades de análise e de parametrização”, afirmou.

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