Dois terços de áreas com lavouras temporárias já plantam segunda safra

A prática de realizar uma segunda safra nas mesmas áreas após a colheita de cultivos de verão está presente em mais de dois terços das lavouras temporárias do país. O plantio de uma terceira safra, no entanto, ainda é minoritário e representa menos de 10% do total. Os dados constam de um novo levantamento do MapBiomas.

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De acordo com o mapeamento, o cultivo de uma segunda safra foi feito em 64% das lavouras temporárias no ano passado, ou em 31,4 milhões de hectares.

A soja ocupou 65% das lavouras de primeira safra no ano passado, alcançando 40,7 milhões de hectares. Dessa extensão territorial, mais de dois terços (65%) foram sucedidos de uma segunda safra, enquanto 21% não foram sucedidos por nenhum outra cultura. Já o cultivo também com terceira safra nas áreas representou 6,1% da área de soja mapeada, o que correspondeu a 2,5 milhões de hectares.

A prática da segunda safra, mais típica do Brasil do que em outros países, garante ganhos ambientais, mas também pode ter impactos sobre a qualidade do solo, segundo Eliseu Weber, um dos coordenadores do tema de agricultura do MapBiomas.

Ele ressalta que o cultivo de segunda safra “aproveita nutrientes da cultura anterior e eleva o potencial de sequestro de carbono”, mas que pode haver “degradação do solo pelo uso mais intensivo, requerendo atenção especial com as práticas de manejo”.

O mapeamento da segunda safra no Brasil, concluído pelo MapBiomas, confirmou que o milho é a principal cultura de segunda safra, e ocupou 14,7 milhões de hectares no ano passado. Cerca de 95% das lavouras de milho de segunda safra foram implantadas após a colheita da soja, ou 14 milhões de hectares.

O algodão ocupou 2,5 milhões de hectares de cultivo de segunda safra no ano passado, dos quais 2,4 milhões de hectares sucederam a soja. Já outros cultivos temporários ou de espécies para cobertura do solo ocuparam 6,5 milhões de hectares, dos quais 6 milhões de hectares sucederam a soja.

O MapBiomas também mapeou a situação das pastagens no Brasil. A organização identificou 155 milhões de hectares de pastagens — o número é menor do que o mapeado pelo Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig), de Universidade Federal de Goiás (UFG), que identificou 179 milhões de hectares de pastagens. Segundo o MapBiomas, as pastagens representam mais da metade (56,7%) da área destinada à agropecuária no Brasil.

Apesar da diferença de 24 milhões de hectares nos mapeamentos, a distribuição dos perfis de pastos é semelhante nos dois levantamentos. No do MapBiomas, aparecem 33,4 milhões de hectares de pastos identificados como de “baixo vigor” — pastagens com degradação severa —, ou 21,6% do total. No mapeamento do Lapig, foram identificados 22,1% dos pastos com degradação severa, ou 39,7 milhões de hectares.

O levantamento do MapBiomas identificou ainda 43% dos pastos com médio vigor, ou 66,6 milhões de hectares, além de 35,4% com alto vigor, ou 54,8 milhões de hectares. O mapeamento do Lapig identificou 42,2% dos pastos com vigor médio, ou 75,7 milhões de hectares, e 35,7% dos pastos com alto vigor, ou 64 milhões de hectares.

Em 20 anos, 11,1 milhões de hectares de pastagens evoluíram para a condição de alto vigor, segundo o MapBiomas. A Amazônia é o bioma onde as pastagens têm a maior produtividade por terem sido abertas recentemente.

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