Com a proximidade do Natal, o mercado de tuias e ciprestes se aquece em todo o País. Essas árvores ornamentais são uma opção natural para decoração, com a vantagem de poderem ser replantadas ao final das festas de fim de ano. Embora não existam estatísticas oficiais organizadas sobre produção brasileira, os Estados de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul são os maiores produtores das espécies.
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Em São Paulo, a produção de tuias e ciprestes se estende por mais de 30 municípios, dos quais se destacam Holambra, Mogi das Cruzes, Santo Antônio da Posse, Rio Grande da Serra, Ibiúna e Herculândia.
Boa parte da produção destas árvores ornamentais é comercializada na Companhia de Entrepostos e armazéns gerais de São Paulo (Ceagesp), que estima vendas em torno de 26,56 toneladas em vasos para este ano, segundo dados fornecidos pela Seção de Economia e Desenvolvimento (SEDES). O volume estimado é ligeiramente inferior às vendas de 2024, quando foram comercializadas 27,6 toneladas em vasos.
A produtora Mara Stangari é referência no cultivo de ciprestes há quase uma década, tendo cultivado cerca de 100 mil árvores no período, embora atue no segmento de fruticultura há 36 anos. “Começamos nossa empresa no final dos anos 1990 cultivando frutíferas, plantas ornamentais e árvores de sombra”, conta a produtora, que conduz a empresa Mari Plantas junto com o esposo Osvaldo José da Silva.
Quando iniciou o cultivo de plantas ornamentais, Mara trabalhava como doméstica e o esposo era cortador de cana. “Como o Osvaldo cortava mais de dez toneladas de cana por dia, ele recebia bônus no pagamento. Foi com esse dinheiro, que deixávamos reservado, que compramos um sítio”, lembra a produtora.
Em meados de 2015 o casal resolveu iniciar o cultivo de cipreste italiano. A árvore, de porte alto e visual elegante, começava a ganhar destaque em projetos de jardinagem de condomínios residenciais, resorts, hotéis e clubes.
Atualmente, a produtora trabalha praticamente apenas com ciprestes italianos. A área cultivada é de cerca de dez hectares, ocupados por plantas em diferentes estágios de desenvolvimento. Mara conta que o ciclo de produção da árvore é longo. São cerca de cinco anos para atingir a altura de quatro metros, a mais procurada pelo mercado. “Não é pipoquinha de micro-ondas”, brinca. “Demora, mas vale a pena. Os mais procurados são os pinheiros de três a cinco metros”, diz.
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Expectativa otimista no mercado
Dados do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor) indicam que o setor de floricultura e plantas ornamentais deve encerrar 2025 com crescimento de 6% a 8% sobre o ano passado. De acordo com Renato Opitz, diretor do Ibraflor, as vendas para o Natal e Ano-Novo devem crescer cerca de 9% em comparação ao mesmo período do ano passado.
No segmento de plantas verdes, o interesse dos consumidores é pelas espécies que se tornaram símbolos da decoração natalina, como as tuias holandesa e stricta e ciprestes, frequentemente utilizados como alternativas naturais às tradicionais árvores de Natal.
Embora a procura seja maior no fim de ano, o comércio deste tipo de árvore vem registrando movimento o ano inteiro. A planta agrada pela estética e se integra bem às tendências arquitetônicas atuais de visual mais vertical, estreito e sofisticado.
Na época de Natal, o cipreste chega aos consumidores em vasos para poder ser decorado dentro de casa. “Ele aguenta até 30 dias no interior. Depois disso, precisa ir para o jardim”, conta Mara. O que poderia ser um item temporário vira, então, parte definitiva da residência: um exemplar que pode viver mais de 70 anos.
Apenas nas duas primeiras semanas de dezembro Mara tem entregas de 200 árvores, já comercializadas, para realizar. Na Ceagesp as vendas já tinham somado 6,64 toneladas de ciprestes em vasos até o dia 2 de dezembro.
Mara cultiva 20 mil mudas a cada dois anos. No primeiro ano as mudas permanecem em estufa, depois disso são cultivadas em vasos com capacidade de três litros. Ao atingirem 1,20 metro de altura, são replantadas em vasos definitivos de 25, 40 ou 80 litros.
“São cerca de três anos a cinco anos para a árvore ficar entre três e cinco metros”, conta. A planta gosta de sol, temperatura amena e umidade. “ Uma planta com três metros é comercializada entre R$ 800 e R$ 850, já incluído o frete”, diz Mara, que calcula que o preço dobrou nos últimos dois anos.
Semelhança confunde
Tuias e ciprestes são árvores muito parecidas e frequentemente confundidas, já que ambas pertencem à família Cupressaceae. No entanto, o gênero botânico da tuia é Thuja, e sua copa é mais adensada. Podem ser originárias da América do Norte, do Japão, da Coreia ou da China e possuem aroma de abacaxi ou limão.
Já o cipreste italiano, também conhecido como cipreste toscano, cipreste mediterrâneo ou cipreste persa, forma ramos eretos e tem a copa estreita. A família Cupressaceae possui cerca de 16 gêneros, sendo os mais famosos as tuias e os ciprestes italianos, muito demandados no Natal.

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