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Justo na semana que começou com a grande expectativa do avanço do PL da Dosimetria, os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro amargaram uma nova derrota na estratégia de emparedar o Supremo Tribunal Federal (STF). O último dos infortúnios que, pouco a poucos, foram tirando, ao longo de meses, as esperanças de reverter a situação do ex-presidente e de seu filho Eduardo Bolsonaro, o artíficie principal do plano.
Ironicamente, a decisão de Trump de tirar Alexandre de Moraes da Lei Magnitsky veio pouco menos de 72 horas após a Câmara aprovar o PL da Dosimetria, raro avanço na estratégia de aliviar a vida do ex-presidente e de outros condenados da trama golpista e do 8 de Janeiro.
Antes disso, a maior parte da tarifas impostas por Trump a produtos brasileiros já havia caído, após conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e temores de impacto na inflação norte-americana. Ainda assim, Eduardo e Paulo Figueiredo, seu fiel escudeiro, impunham a narrativa quase eterna de “espere um pouco mais”, emulando as 72 horas para mudar o quadro que apoiadores proclamam desde os tempos da eleição. Nesta sexta-feira, 12, porém, o tom mudou. A decisão foi recebida com “pesar”. “Que Deus abençoe a América, e que tenha misericórdia do povo brasileiro“, disseram Paulo e Eduardo em nota pública.
Paralelamente ao fato de ter desandado a estratégia de pressão externa sobre o STF, os espaços de manobra para tirar Bolsonaro da cadeia foram sendo reduzidos. A decisão de Gilmar Mendes de alterar trechos da Lei do Impeachment, mesmo parcialmente revista, amplia o quórum para a derrubada de ministros do STF no Senado, tornando a estratégia de Bolsonaro para as eleições inócuas.
Mesmo o PL da Dosimetria, única vitória bolsonarista em meses de calvário judicial e político, corre riscos. As trapalhadas na montagem de um texto que destrói avanços do PL Antifacção no endurecimento das regras para a progressão de regime podem colocar em risco sua aprovação neste ano. Como está, o texto pode ter dificuldades de avançar no Senado. Se for mudado, terá que voltar para a Câmara, tornando difícil uma aprovação neste ano. De um jeito ou de outro, o discurso para a base governista já está dado.
O duro golpe aplicado por Donald Trump com a decisão desta sexta-feira faz a realidade se impor. Uma realidade em que o presidente dos EUA é um negociante, mais preocupado com as questões comerciais e que percebeu, após meses de sanções inócuas, que o Brasil é menos suscetível aos impactos de suas decisões – ainda que estes não possam ser desprezados – e, principalmente, que o bolsonarismo não tem a força interna que tentou projetar para os americanos. A semana de ouro dos bolsonaristas terminou com o mais impactante dos reveses e os meses de comemoração pela pressão americana ficarão para trás.

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