A sensação se repete ano após ano: ir ao supermercado pesa cada vez mais no bolso. Em 2025, não foi diferente. Para garantir itens essenciais da cesta básica e levar comida à mesa, o consumidor brasileiro precisou desembolsar mais dinheiro do orçamento.
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O aumento aparece no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação do Brasil, divulgado na última quarta-feira (10/12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre janeiro e novembro, o grupo “alimentação e bebidas” ficou 2,67% mais caro, puxado por itens que registraram altas expressivas ao longo do ano.
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1 – Pimentão
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Consumido com a casca verde, vermelha ou amarela, geralmente, em forma de salada ou refogado, o pimentão acumula alta de 40,13% em 2025, segundo levantamento do IBGE. O avanço expressivo no preço tem uma explicação, aponta Thiago de Oliveira, chefe da Seção de Economia da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp): o clima.
De acordo com o especialista, ondas de calor, períodos prolongados de estiagem e episódios de chuva intensa afetaram diferentes polos produtores, reduzindo a oferta e pressionando o valor final.
“O pimentão é muito sensível às variações de temperatura e umidade. E o calor intenso e a pressão de pragas e doenças no início do ano reduziram a oferta e aumentaram os custos de produção, bem como na safra de inverno, em especial o mês de julho, resultando na maior alta do IPCA”.
2 – Café moído
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A alta do café moído segue o mesmo ritmo do forte reajuste registrado no ano anterior. Em 2024, o produto já havia subido 39,60%. Agora, acumulou nova elevação: 36%.
O principal motivo, explica Felippe Serigati, pesquisador do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV Agro), está no campo e nos prejuízos da última safra brasileira, que reduziram a oferta e pressionaram os preços ao longo da cadeia.
“A raiz disso é a elevação do preço do grão de café verde após a colheita abaixo do esperado em 2024. Tivemos um terceiro trimestre com seca e temperaturas acima da média, o que prejudicou a florada. E na florada com menos qualidade, você produz uma quantidade menor de cerejas (os frutos do cafeeiro) e grãos mais defeituosos”, diz.
3 – Manga
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Entre as frutas, a manga registrou o maior aumento entre janeiro e novembro deste ano: 28,85%. O avanço é explicado, principalmente, pelos eventos climáticos extremos que afetaram a produção, como ondas de calor e volumes de chuva acima da média.
Outro fator que influenciou o mercado, destaca Thiago de Oliveira, da Ceagesp, foi o tarifaço de 50% aplicado pelos Estados Unidos ao Brasil. A medida gerou apreensão entre os produtores porque a manga é a fruta mais exportada do país e depende do mercado externo.
“Há relatos de toneladas de frutas impróprias para consumo, o que reduziu a qualidade e elevou o preço médio. Com outro pico de alta em setembro, entretanto, por preocupação com a tarifação americana que iniciaria em outubro, muitas pessoas resolveram antecipar o embarque, reduzindo a oferta nacional e pressionando os preços”.
4 – Pepino
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Assim como ocorreu com o pimentão e a manga, o clima foi o principal responsável pela alta de 25,99% no preço do pepino ao consumidor brasileiro em 2025.
Segundo o especialista da Ceagesp, a hortaliça é altamente sensível a eventos climáticos extremos e teve a produção prejudicada pela combinação entre chuvas excessivas e temperaturas elevadas, cenário que comprometeu a oferta.
5 – Café solúvel
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Em consequência direta dos prejuízos na safra brasileira, o café solúvel também teve aumento em 2025 da mesma forma como o café moído. A diferença é que, por utilizar uma fração menor de matéria-prima na composição, o reajuste foi de 22,66% entre janeiro e novembro, número abaixo do observado no outro produto, que alcançou 36%.
“Quando a gente olha aquele café um pouco mais manufaturado, ele responde por uma fração significativa, mas não tanto quanto o moído. O aumento que estamos vendo agora é reflexo do encarecimento do grão, fundamental para a produção do café solúvel”, explica o pesquisador Felippe Serigati.
6 – Melão
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As variações climáticas registradas ao longo do ano, como calor excessivo e volumes elevados de chuva, comprometeram a qualidade do melão e dificultaram o transporte entre o campo e o consumidor. O resultado apareceu nos preços: enquanto em 2024 acumulou queda de 3,61% entre janeiro e novembro, em 2025 o cenário se inverteu, e a fruta registrou alta de 18,09% no mesmo período.
7 – Batata-doce
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O tubérculo começou 2025 em queda no IPCA e com preço acessível ao consumidor. Mas, a partir de setembro, o cenário mudou: ficou mais caro e acumulou alta de 17,71% no ano. A explicação segue a mesma linha dos alimentos anteriores: prejuízos causados pelo clima e redução da oferta. A combinação pressionou o valor da batata-doce no mercado.
8 – Cafezinho
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Consumido em grande quantidade pelos brasileiros, o cafezinho degustado no balcão da padaria ou lanchonete aumentou 16,70% em 2025, conforme o indicador oficial de inflação, o IPCA.
A alta também está relacionada ao preço do grão, elevado desde 2024, como no caso do café solúvel, mas o principal fator neste caso é o serviço associado ao produto, como a locação do estabelecimento, o aluguel, a mão-de-obra e a máquina utilizada para prepará-lo.
9 – Abobrinha
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Após queda de 15,40% em 2024, o preço da abobrinha subiu 12,86% em 2025, também em razão dos eventos climáticos extremos no primeiro semestre. O calor intenso e a estiagem, seguidos por chuvas excessivas, causaram quebras de safra e redução da oferta em períodos críticos.
10 – Tomate
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Com oscilações ao longo do ano e picos de 20,27% em janeiro, 22,55% em março e 14,35% em abril, o tomate aparece entre os alimentos com maior reajuste em 2025. A alta chega a 8,67% no acumulado entre janeiro e novembro, resultado ligado à dificuldade de recuperação da oferta.
“O tomate é o mais sensível. O excesso de chuvas no início do ano e a estiagem em outras épocas causaram perdas significativas na produção”, finaliza Oliveira.

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