Com seu grande potencial de transformar a vida de populações rurais e de melhorar a produtividade dos cultivos, a produção agroecológica tem atraído um número crescente de agricultores. No entanto, o segmento ainda enfrenta limitações de escala e de presença no mercado consumidor, avaliaram participantes da segunda edição do Fórum Agricultura Familiar, que a “Globo Rural” realizou em Salvador na sexta-feira (12/11).
“A agroecologia é um dos nove portfólios do plano estratégico da Embrapa. A gente acredita fortemente nisso”, disse Aldo Vilar Trindade, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura. O gargalo da produção agroecológica, afirmou Trindade, está nas restrições de transferência tecnológica e de disponibilidade de tecnologias.
A produção agroecológica busca integrar a atividade agrícola e a preservação do meio ambiente. Socialmente justos, esses sistemas valorizam conhecimentos tradicionais e prezam pelo baixo uso de insumos químicos.
Na visão dos participantes do fórum, problemas de infraestrutura e transporte, mas também de marketing, análises laboratoriais e certificações, limitam o acesso de produtos agroecológicos a supermercados e grandes centros de consumo. “As grandes redes não valorizam esses produtos. O desafio não é só transportar. É também o preço. (…) Há quase 120% de lucro real em cima dos produtos, [e] a única função do mercado é ter uma gôndola e passar o produto. Precisamos de mecanismos para regular isso”, disse o secretário de Desenvolvimento Rural da Bahia, Osni Cardoso.
A presidente nacional da União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), Fátima Torres, destacou que os produtores precisam ocupar os espaços disponíveis, que não são somente as grandes redes, e que muitos itens orgânicos são comercializados mesmo sem o selo que identifica esses produtos. “Já temos vários produtos da agricultura familiar em mercados e com identificação aqui na Bahia. São esses espaços que buscamos ocupar para que o consumidor os encontre”, disse.
Durante o fórum, os participantes comentaram que o avanço da agricultura familiar em geral, e da produção agroecológica em particular, passa necessariamente por crédito barato e sem amarras burocráticas. O presidente do Banco do Nordeste na Bahia, Wanger Antônio de Alencar Rocha, disse que desafios estruturais seguem restringindo o acesso a crédito no mercado.
“Existem questões regulatórias, documentais e de acesso que precisam ser enfrentadas”, afirmou Rocha. Ele destacou que o Banco do Nordeste lidera a oferta de crédito para a agricultura familiar na região e tem trabalhado para ampliar o alcance das linhas por meio de programas orientados.
Segundo o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, ajustar ainda mais o crédito rural, aumentando o valor disponível e também os subsídios ao financiamento, estão entre as prioridades para dar apoio à agricultura familiar em 2026. “Não há mais razão para manutenção dos juros nesses patamares. Esse é um debate que temos feito com o Ministério da Fazenda e com o Banco Central, que compactuam com essa visão”, disse o ministro.

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