Deputado propõe moção de repúdio na Alesp contra atos de racismo sofridos por Luighi, do Palmeiras

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) recebeu nesta sexta-feira, 7, uma pedido de moção de repúdio contra os atos de racismo sofridos pelo jogador Luighi, do Palmeiras. A proposta foi apresentada pelo deputado estadual Lucas Bove (PL) e ainda precisará ser votada em plenário.

“É imperioso destacar que o racismo é um crime inaceitável que fere os princípios fundamentais básicos. Atitudes discriminatórias como essas não apenas afetam profundamente as vítimas, mas também mancham a integridade do esporte e da sociedade como um todo”, afirma no texto. “Reafirmamos nosso compromisso com a luta contra o racismo e todas as formas de discriminação, promovendo um ambiente esportivo e social pautado no respeito”, continua.

Na noite de quinta-feira, o atacante de 18 anos foi alvo de cusparadas dos torcedores e relatou ter sido chamado de macaco. O caso ocorreu durante partida na Copa Libertadores Sub-20, nesta quinta-feira, contra o Cerro Porteño, no Paraguai.

Na proposta de moção, o parlamentar também destaca o abalo sofrido pelo Luighi e exige ação das autoridades competentes.

“O atleta, visivelmente abalado, chorou no banco de reservas e, após o jogo, desabafou cobrando providências das autoridades competentes”, destaca.

“Exigimos que as autoridades competentes, incluindo a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), tomem medidas enérgicas e imediatas para identificar e punir os responsáveis por tais atos, garantindo que episódios semelhantes não se repitam nos eventos esportivos”.

Ao final do jogo, na quinta-feira, Luighi chorou e deu uma entrevista contundente para a Conmebol TV. Ele questionou o repórter da Conmebol, que preferiu perguntar sobre a partida e ignorar os insultos racistas de que foi vítima o palmeirense.

“É sério isso? Fizeram racismo comigo. Até quando? O que fizeram comigo foi crime. Você vai perguntar sobre o jogo mesmo? A Conmebol vai fazer o que sobre isso? Você não ia perguntar sobre isso, né? Fizeram um crime comigo. Aqui é formação, a gente tá aprendendo aqui.”

Os atos racistas se iniciaram após o Palmeiras fazer 3 a 0 sobre o Cerro Porteño, por volta dos 35 minutos do segundo tempo. Apesar de os atletas do time brasileiro terem mostrado ao árbitro da partida o que estava ocorrendo na arquibancada, o jogo continuou normalmente até o final e a equipe alviverde venceu por 3 a 0.

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