Várzea Grande encerra 2025 com crise da água e 11 trocas de secretários

A cidade de Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá, chega ao fim de 2025 ainda sem uma solução definitiva para a falta de água, um problema histórico que persiste há anos e que, segundo promessa de campanha da prefeita Flávia Moretti (PL), deveria ter sido resolvido ao longo deste primeiro ano de mandato.

varzea grande matriz
Várzea Grande chegou a decretar estado de calamidade pública – Foto: Prefeitura de Várzea Grande-MT

Além da crise hídrica, outros episódios marcaram 2025 na segunda maior cidade de Mato Grosso, como conflitos políticos com a Câmara Municipal, tensões até mesmo com aliados e uma sequência de mudanças no primeiro escalão da administração. Ao todo, a gestão promoveu 11 alterações no secretariado ao longo do ano.

Crise hídrica

Ao longo do ano, moradores relataram longos períodos sem abastecimento, enquanto a administração discutia alternativas emergenciais, apoio do governo do Estado e até a possibilidade de privatização da gestão do Departamento de Água e Esgoto (DAE). Apesar das medidas anunciadas, a situação não foi normalizada até dezembro de 2025.

A escassez de água atingiu dezenas de bairros e provocou protestos. Em meio ao colapso no sistema, a prefeitura chegou a decretar estado de calamidade pública e reconheceu a incapacidade de resposta imediata diante de uma estrutura considerada antiga, deficitária e sem investimentos suficientes.

Na semana passada, Moretti havia decretado cobranças na tarifa de água e esgoto, mas no mesmo dia ela decidiu recuar na medida.

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) sugeriu a intervenção do Estado na gestão para melhorar a situação, mas nenhuma decisão foi tomada ainda.

Crise hídrica leva Várzea Grande a decretar calamidade pública. (Foto: DAE)
Várzea Grande chegou a decretar situação de calamidade pública. – Foto: DAE-VG

Entra e sai nas secretarias

Em meio às crises, a gestão de Moretti foi marcada por mudanças constantes no secretariado. As trocas ocorreram por diferentes motivos, incluindo decisões administrativas, pedidos de exoneração, exigências legais.

Confira a lista

Secretaria de Governo

  • Saiu: Benedito Lucas
  • Entrou: Andreia Caroline Melo de Oliveira

Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE/VG)

  • Saiu: Coronel Sandro dos Anjos Azambuja
  • Entrou: Tenente-coronel Zilmar Dias Silva

Secretaria de Assuntos Estratégicos

  • Saiu: Carlos Alberto Araújo
  • Entrou: Inaciray Ramos de Brito Tavera

Secretaria de Desenvolvimento Econômico

  • Saiu: Samir Bosso Katamata (Samir Japonês)
  • Entrou: Mário Quidá Neto

Secretaria de Serviços Públicos e Mobilidade Urbana

  • Saiu: Gerson Scarton
  • Entrou: Lucas Ribeiro (vereador licenciado)

Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer

  • Saiu: Padre Edson Sestari
  • Entrou: Professor Cleiton Marino Santana
  • Saiu: Professor Cleiton Marino Santana
  • Entrou: Igor Cunha

Secretaria de Assistência Social

  • Saiu: Bispo Gustavo Henrique Duarte Oliveira Silva
  • Entrou: Cristina Setsuco Siqueira Saito

Secretaria de Administração

  • Saiu: Nadir Martins Araújo
  • Entrou: Antônio Roberto Pôssas de Carvalho

Secretaria de Gestão Fazendária

  • Saiu: José Francisco Mazzuco Júnior
  • Entrou: Marcos José

Secretaria de Planejamento

  • Saiu: Fabyane Akemi Nagazawa de França
  • Entrou: Drielli Martinez Ferreira Lima (interina)

Instituto PREVIVAG

  • Saiu: Maria Rosaine Toledo Rosa Ribeiro
  • Entrou: Sumaia Leite de Almeida
A maior parte da dívida foi herdada pela prefeita de Várzea Grande Flávia Moretti, que assumiu o mandato com a obrigação de lidar com esse passivo. (Foto: Reprodução)
Gestão Flávia Moretti passou por várias mudanças no primeiro ano de governo. – Foto: Reprodução

O cenário de instabilidade administrativa foi agravado por tensões políticas entre o Executivo e a Câmara Municipal. A prefeita enfrentou resistência de vereadores, críticas públicas e dificuldades para avançar em pautas consideradas estratégicas.

As tensões se manifestaram em confrontos diretos com parlamentares como Samir Katumata (PL), que chegou a acusá-la publicamente de mentir, além de divergências com o presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB), e com o vereador Kleber Feitoza (PSB).

Posicionamento da prefeita

Em nota, a prefeita Flávia Moretti afirmou que, ao completar um ano de gestão, o governo avançou em um dos temas mais sensíveis de Várzea Grande: o saneamento básico. Segundo ela, a concessão do DAE, que não caracteriza privatização, está prevista na Lei Orçamentária Anual (LOA), na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e no Plano Plurianual (PPA).

Em 2025, a prefeitura contratou a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e iniciou escutas públicas nos bairros para atualizar o Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB), que estava defasado desde 2017.

De acordo com a prefeita, o processo segue todos os trâmites legais, considerados longos e complexos, mas necessários para uma eventual concessão pública. Ela destacou que o PMSB é essencial para orientar ações de abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem urbana e manejo de resíduos sólidos, além de servir de base para estudos de viabilidade.

A Fipe já entregou diagnósticos jurídico-institucionais, técnico-operacionais e econômico-financeiros, que irão subsidiar a escolha do modelo considerado mais vantajoso para o município. Moretti também ressaltou que, antes, Várzea Grande não possuía dados consolidados sobre o DAE, informações que agora estão sendo levantadas de forma inédita.

Sobre as 11 mudanças no primeiro escalão ao longo do ano, Flávia Moretti afirmou que as decisões fazem parte da gestão administrativa e têm como foco a eficiência e os resultados, priorizando o interesse da população, conforme os princípios previstos no artigo 37 da Constituição Federal.

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