Após atacar a Venezuela, Trump ameaça realizar operação militar na Colômbia

Dois dias depois da operação militar que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a recorrer à retórica do uso da força e passou a ameaçar diretamente a Colômbia. Em declarações a jornalistas na noite deste domingo (04), o gestor norte-americano afirmou que o país vizinho “está muito doente” e sugeriu que uma ação militar poderia ser uma resposta aceitável ao que ele classifica como “envolvimento do governo colombiano com o narcotráfico”.

A fala representa uma escalada significativa no discurso de Washington, já que a Colômbia é historicamente um dos principais aliados estratégicos dos Estados Unidos na América do Sul. Ao ser questionado se suas declarações indicavam a possibilidade real de uma ofensiva contra o país, Trump respondeu de forma afirmativa, sinalizando que a hipótese está sobre a mesa.

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Trump transforma crise venezuelana em escalada regional e ameaça a Colômbia. – Foto: Joe Raedle/Getty Images.

O principal alvo das críticas foi o presidente colombiano Gustavo Petro, a quem Trump acusou de tolerar ou incentivar a produção de drogas destinadas ao mercado norte-americano. A retórica rompe com o padrão diplomático tradicional entre os dois países e introduz um elemento de instabilidade numa relação marcada, até então, por cooperação em segurança e combate ao tráfico.

Discurso se expande para outros países

Além da Colômbia, Trump mencionou México e Cuba como focos de preocupação. Sobre o México, afirmou que o país precisa intensificar suas ações contra o narcotráfico e revelou que já ofereceu o envio de tropas norte-americanas para atuar em território mexicano, proposta que, segundo ele, encontrou resistência da presidente Claudia Sheinbaum.

Em relação a Cuba, o presidente norte-americano adotou um tom diferente, afirmando que a ilha enfrenta um processo de desgaste interno que tornaria desnecessária qualquer intervenção direta por parte dos Estados Unidos.

Venezuela como ponto de partida

As ameaças ocorrem na esteira da operação militar realizada no último sábado em Caracas, que levou à captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram levados para os Estados Unidos, onde respondem a acusações relacionadas ao narcotráfico e ao crime organizado.

Trump classificou a ação como bem-sucedida e afirmou que o aparato militar venezuelano foi neutralizado. Dados divulgados por fontes do próprio governo venezuelano e pela imprensa internacional indicam que os ataques deixaram ao menos 80 mortos, entre civis e militares, número que ainda pode crescer.

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Mesmo após a ofensiva, o presidente dos Estados Unidos manteve o tom ameaçador em relação à Venezuela, advertindo a atual liderança do país de que novas ações podem ser desencadeadas caso Washington considere necessário.

Alerta diplomático na região

A ameaça direta à Colômbia após o ataque à Venezuela acendeu um sinal de alerta entre governos latino-americanos e diplomatas internacionais. Analistas avaliam que Trump passa a testar os limites da reação regional e internacional diante de uma política externa mais agressiva, baseada em intervenções diretas e unilaterais.

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