Críticos do orçamento secreto, Boulos e Tabata ajudaram a retomar mecanismo

“O deputado não conseguiu votar pelo Infoleg porque ficou sem acesso à internet durante a votação, quando estava em uma agenda na periferia de Guarulhos”, respondeu sua assessoria.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Boulos aparece comendo uma banana numa provocação ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

“Enquanto o bananinha (apelido dado pela esquerda ao filho de Jair Bolsonaro) está conspirando contra o Brasil lá nos Estados Unidos, a gente está aqui distribuindo banana e várias outras coisas na feira solidária no Jardim Vermelhão, em Guarulhos. Não adianta só ficar falando que a comida está cara, tem que ter iniciativa, e a feira solidária é isso aí”, disse enquanto mastigava a fruta.

Bolsonaro (PL-SP) votou remotamente a favor da manutenção do orçamento secreto.

A ausência foi cobrada nas redes sociais. “É muito importante que Guilherme Boulos explique aos seus eleitores e ao PSOL por que não votou contra o Novo Orçamento Secreto”, escreveu David Deccache, assessor econômico na Câmara. O economista trabalhou para o PSOL, mas foi demitido por críticas públicas ao comando da sigla.

Mesmo sem participar da votação, Boulos registrou presença na sessão. Evitou, dessa forma, ter o dia de trabalho descontado.

Somente hoje (14), um dia depois da votação, ele enviou uma carta ao presidente do Congresso para justificar a ausência e deixar registrado que teria votado contra.

“Como já manifestou publicamente diversas vezes, o deputado Guilherme Boulos é contra o orçamento secreto e, assim como toda a bancada do PSOL, também é contra o Projeto de Resolução 1/25, aprovado nesta quinta (13). O deputado não conseguiu votar pelo Infoleg porque ficou sem acesso à internet durante a votação, quando estava em uma agenda na periferia de Guarulhos”, disse.

Tabata

Também com discurso frequente contra o orçamento secreto, Tabata Amaral votou a favor da emenda que abre brecha para esconder os deputados e senadores que estão por trás do direcionamento de recursos.

A falta de transparência permite que os recursos não sejam distribuídos de forma equânime, como manda a Constituição, e inviabiliza relacionar a verba ao parlamentar em casos de esquemas de corrupção, por exemplo.

“Sabemos que uma boa parte desse dinheiro vai ser escoada para a corrupção”, constatou Tabata, em junho de 2023, quando o governo Lula liberou parte dos recursos.

Procurada diretamente e por meio da assessoria, a deputada ainda não se manifestou sobre sua posição.

Dos 70 deputados federais eleitos por São Paulo, apenas 57 votaram. Do total, doze se posicionaram contra a volta do orçamento secreto.

Votaram contra:

Adriana Ventura (Novo)

Carlos Sampaio (PSD)

David Soares (União)

Delegado Palumbo (MDB)

Erika Hilton (PSOL)

Ivan Valente (PSOL)

Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL)

Luiza Erundina (PSOL)

Professora Luciene Cavalcante (PSOL)

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